Domingo, 5 de Julho de 2009

O $ segue o sucesso e o sucesso custa $


Estes dias o History Channel apresentou um longo programa sobre as origens e evolução do futebol ao longo da história.

Muitas civilizações em continentes e épocas diferentes praticaram algum tipo de jogo com bola. Mas foi na China, mais de 1oo anos antes de Cristo, que um jogo que tinha 12 adversários de cada lado em um quadrilátero fechado, foi apresentado ao Imperador. Não havia goleiro, mas havia vários arcos representando as estações , onde os jogadores poderiam marcar os pontos.

Inicialmente, foi um jogo com objetivos militares, para manter os soldados ocupados e competitivos em períodos sem guerra. Como nesta época também foi aberta pelos chineses a rota da seda, especula-se que foi por ai que o futebol possa ter sido primeiramente apresentado ao ocidente.

Daí, muitos séculos mais tarde chegamos ao CALCIO VENEZIANO, também com objetivos militares, que era brutal e estava muito mais para uma batalha campal que um time vencia. Mas o público já era grande...

Porém, foram os colégios ingleses, que desafiando uma proibição de Cromwell, continuaram praticando uma versão do futebol mais sofisticada e organizada que a popular, que não passava de uma gigantesca guerra entre aldeias pela posse de uma bola rudimentar.

Quando o império inglês se expandiu, os ingleses longe de casa levaram seu esporte para os países onde atuavam e, aí uma paixão se espalhou. E é bem simples de entender - os ingleses podiam ser donos de tudo, e até inventores do futebol, mas no campo de jogo poderiam ser vencidos!

Até hoje, os grandes confrontos futebolísticos se dão entre adversários de cidades diferentes, países diferentes. Mesmo entre times de uma mesma cidade, torcer por um deles, significa tomar partido e será um componente da conduta de torcedor por toda a vida.

Sim, mas, bem... cadê os carros?


Ora pessoal, é muito simples!

Enquanto não tivermos um esporte competitivo, uma arrancada onde se possa identificar claramente os vencedores, não teremos um esporte.

O futebol levou incontáveis gerações para apaixonar o planeta. Nasceu de um objetivo militar e não deixa de ser uma "guerra", onde uma torcida quer superar a outra.

A arrancada não teve objetivos militares em seu nascimento. Mas, militares que retornaram da guerra com dinheiro e vontade de se divertir com a adrenalina que haviam experimentado no campo de batalha, que a transformaram em um esporte poderoso.

Numa batalha aérea, um piloto tem três opções: lutar e vencer, lutar e ser abatido ( e rezar para sobreviver e lutarn outra batalha) ou fugir...

É muito claro que quem foge sobrevive, mas nunca se tornará um ÁS( quem abate 5 aeronaves).

Também não é por acaso que é popular a expressão "ÁS do VOLANTE"...

Também não é por acaso que no automobilismo mais desenvolvido do mundo os patrocinadores mais cobiçados são as forças armadas, que investem no esporte para cativar os jovens para a carreira militar.

E quanto maior é o sucesso de uma competição, maior é o investimento.

Continuo ouvindo das pessoas que a arrancada americana está em crise. Que a depressão americana espantou os patrocinadores e as pessoas das pistas. É uma meia verdade. Realmente, a maior e mais antiga liga do esporte , a NHRA tem perdido patrocínios e suas provas estão com poucos carros e poucos torcedores. E ainda tem fechado várias divisões de suas categorias profissionais. Para você,s entenderem o que significa: quando eles fecham uma divisão, não quer dizer que os carros desapareçam e sim que eles não pagam mais prêmios, o que naturalmente desmobiliza completamente os competidores.

Mas nos EUA, hoje, muitos dizem - com argumentação sólida - que os efeitos da crise tem muito pouco a ver com a decadência da NHRA. E que teria, isso sim, muito a ver com a adoção de políticas equivocadas como a maciça adoção das provas de Bracket, que lá são conhecidas pela expressão "espanta público"...

Além disso, e aí está o erro principal, excesso de regras e segmentações por categorias em um momento em que as pessoas, público e competidores querem a volta do básico, o que fez a glória do esporte, as competições "heads up", o lado a lado. Isto todos nós conhecemos desde que entramos em um automóvel, no tempo em que não havia o politicamente correto, e ficávamos pedindo para o nosso pai para deixar pra trás aquele carro que estava ao lado.

Claro que isso poderia soar como uma bobagem, mais um amontoado de palavras defendendo um ponto no vazio, não fosse por um motivo: há cinco anos atrás surgiu uma liga - entre outras 32 que existem nos EUA - chamada American Drag Race League, a ADRL, que começou de forma difícil com poucos carros , sem público e com a cara de algo que iria fracassar. Mas, eles persistiram, mudaram políticas, simplificaram regulamentos, restrigiram as categorias ao mínimo. E, fundamental, buscaram envolver toda a comunidade onde participam, com programas, que para nós , são no minimo ousados. Mas, que estão sendo copiados, ou pelo menos inspiraram iniciativas como a FTruck - que aqui na América do Sul, é um grande sucesso.

A ADRL vem batendo sucessivamente os recordes de público - o record que interessa bater - mesmo neste ano de crise. Não para de se expandir, e está conquistando os patrocionadores que eram da NHRA... O que os críticos americanos dizem é que para ganhar os trocados do Bracket, a NHRA perdeu os milhões dos patrocinadores... Prova sem público não é sucesso, e se não é sucesso,o dinheiro vai embora, ou em nosso caso, nem se aproxima!

Uma imagem fala mais que mil palavras, é um dito popular. Então, vou deixar vocês com muitas imagens, todas feitas em maio deste ano...


























Domingo, 14 de Junho de 2009

Competição boa é aquela onde você pode competir

Amadores em busca de diversão

As coisas têm o exato valor que nós lhe atribuímos.

Quando participamos de algo que julgamos sem importância, é exatamante isto que este acontecimento representa para nós: nada...


Porém, sempre que nos empenhamos em comparecer a um compromisso, seja por qual motivo for, estamos lhe conferindo algum valor. Quando muitas pessoas têm atitude semelhante em relação a este compromisso, seu valor real aumenta e pode ser medido pelo interesse que gera na comunidade onde esta inserido.


E isto pode ser ilustrado claramente pelo caso da Associação Desafio. Inicialmente, umas poucas pessoas - menos de 10 - que acreditavam poder fazer algo por si e para quem gostava de arrancada, mas que sabia não poder participar. Com o empenho característico de quem acredita nas suas ideias, conseguiram se organizar e estabelecer compromissos que tiveram o orgulho e o privilégio de cumprir.

Isso fez com que o grupo crescesse, continuasse sua luta em busca de um espaço onde todos que queriam correr pudessem concretizar seu sonho. Como em toda a caminhada, nem todos têm a determinação ou mesmo a simples vontade de continuar sem desistir no primeiro obstáculo. Isso é apenas a vida seguindo seu curso e, como seria de se esperar, a cada perda, os que chegaram se revelaram ainda melhores.

Assim se formou o grupo amador com a organização mais profissional da arrancada brasileira. Há três anos temos um campeonato AMADOR que premia com justiça e lógica seus participantes, levando em consideração todo o seu trabalho durante o ano e não apenas o resultado de uma ou duas provas com valor dobrado.

Esta atividade , que sempre foi encarada com muita seriedade por todos nós, rendeu frutos para todo o grupo. Desde o princípio, temos patrocinadores que são decididamente os melhores por que nos apoiam.

Este mesmo grupo AMADOR , no final de 2008 com apoio do Velopark (que é e será por muito tempo a melhor pista do Brasil) colocou em funcionamento uma competição "Up Sixteen", o TOP 16 que nada mais é do que a mais tradicional forma de arrancada, a base de todo o esporte, no mundo inteiro. É mais emocionante para quem participa, eleva o nível dos competidores, revela o verdadeiro valor de cada time e mostra quem realmente poderá ser um piloto vencedor.

Além disso, é um formato que as pessoas entendem facilmente, e pode ser apresentado claramente em um show de televisão, o que vai efetivamente aproximar o esporte do povo - e não o contrário como acontece hoje.


Por que estou falando aqui de coisas que todos que lêem este blog ao longo do tempo estão cansados de saber?

Explico: na posição em que estou, converso com muitas pessoas. Com as que concordam conosco, com as que não concordam, com as que mentem descaradamente e com algumas que era melhor nem ter conversado...

Já ouvi de tudo. Uns dizem que o Velopark tem que pagar para os pilotos virem correr se quiser espetáculo????, outros, que o "estado" deveria assumir e dar algum tipo de subsídio como existe na Argentina... (ninguém sabe explicar como funciona), outros querem encurtar a pista do VP para 201m por que lá fora é assim agora e aqui nossos carros não aguentam 402 m...

Mas, eu nunca ouvi nada que lembrasse remotamente " trabalhar para melhorar".



Tenho uma noticia para voces pessoal: vamos continuar evoluindo. Sabem porque?

NÓS TRABALHAMOS !!!


E eu acho bom vocês começarem a seguir o mesmo caminho, sob pena de serem atingidos pela pura e simples extinção...


Muito breve, o Brasil poderá ter um verdadeiro campeonato nacional, com várias Dragways de qualidade para sediarem os eventos. As ligações estão sendo feitas, acordos são firmados a cada dia que passa, esboça-se um regulamento com mais lógica para os próximos anos.

Enquanto isso, aqui se discute que nada disso vai dar certo (como falavam que o Velopark era uma ilusão, ouvi muito isso, e nem mesmo dizendo que tinha visitado a obra as pessoas acreditavam - um tipo de ilusão de categoria, acho), que competição de enfrentamento - o mata /mata - não é pro Brasil, só é bom pra americano, e que Curitiba já deu pra trás e não demora todos vão fazer o mesmo...

A verdade é a seguinte senhores: a única categoria do Brasil que apresenta algum índice de profissionalismo, seja pela competição, tempo de pista abaixo dos 9s ,ou até pelo número de carros participantes, é a agora nomeada FLD.

Quantos destes carros que têm realmente profissionais trabalhando existem com resultados competitivos no RS este ano?

Se usarmos uma mão para dar esta resposta, sobrarão muitos dedos...

Esse será o futuro da arrancada por aqui?

Não é à toa que nos EUA, até o tempo de 9,99, TODOS são considerados amadores.

Olhando por este ângulo, quantos profissionais sobram mesmo?

Profissionais em busca dos US$ 30mil da premiação

Sábado, 30 de Maio de 2009

ATÉ QUANDO ?

Sim, eu participei da reunião de pilotos e preparadores que ocorreu no Velopark.

Nela seriam discutidos assuntos relevantes para a arrancada gaúcha, como a formação de uma Associação de Pilotos e, principalmente, uma nova visão do grupo sobre o futuro do esporte. Quase uma adequação aos dias que teimam em chegar e a cada dia pressionam mais iniciativas do porte do Velopark.

O que vi nessa noite me decepcionou profundamente. Além da pouca representatividade das pessoas presentes no quadro geral da arrancada no RS, as idéias que surgiram durante o encontro passaram longe de qualquer objetivo real.

Sobre criar uma associação, é uma ideia com a qual todos concordam. Já fizemos isto a tres anos e conhecemos como ninguem as vantagens e os problemas decorrentes deste fato. Para que esta iniciativa seja bem sucedida são precisos alguns requisitos : união de objetivos, liderança, capacidade de doação em favor de um bem maior. Não vi nada disso naquela sala.

O que eu vi foram pessoas brigando por interesses pessoais.

Alguns queriam mais categorias para poderem colocar seus carros.

E, ao mesmo tempo, pediam "vista grossa" nas vistorias...

Outras queriam mais regras para que os carros custassem menos , mas ironicamente são os que tem os carros mais caros e que chegam a inflacionar o mercado de peças, devido a voracidade com que consomem tudo que esta disponivel quebrando sucessivamente seu equipamento.


Alguns queriam simplesmente "banir" as provas realizadas no interior, argumentando que a frequencia nas provas do Velopark iria aumentar. A lógica disso era um primor: tendo menos provas no interior, os "competidores" seriam obrigados a vir no Velopark.

A força da arrancada como esporte esta justamente no interior. Lá é onde se formam a maioria dos competidores. O esporte no interior tem de ser estimulado e não proibido.

O que poderia ser melhor do que uma competição que reunisse os melhores do interior uma vez por ano no velopark?

Mas, para isso, tem de haver a competição regional e uma linha minima que de uma chance de participar a todos.



E o que dizer da aclamação por parte da maioria presente, da idéia de abolir a competição de confronto, o popular "mata-mata"?

Os motivos foram sensasionais... "nossos carros não aguentam as puxadas... o publico quer ver record e não um pega de rua... isso vai contra a DINAMICA do espetáculo...!


A DINAMICA do espetáculo arrancada é uma só em todo o mundo: dois carros entram na Drag Way, um perde e outro ganha. Não fosse assim, pra que duas pistas?

Mais do que nunca há uma volta as origens na arrancada, com competições "heads up", tendo cada vez mais público, mais pilotos e ... menos regras!

O porque disso todos sabemos. Respeito meu passado. Por que as pessoas se deslocavam até uma estrada no meio da noite, arriscando a serem presas, tomar tiros da policia, para ver rachas?
É simples: pela emoção da disputa! Durante a semana "vazavam" as informações de que haveria a disputa de fulano contra sicrano, da oficina tal que era adversário da outra oficina... e no dia combinado, voce chegava a noite na RS e encontrava uma cena surreal... centenas (literalmente) de carros parados por todos os cantos, esperando a disputa prometida!

E aquele pega era assunto por meses...

Qualquer um que esteja lendo isso pode imaginar uma estrada cercada de carros e pessoas para ver alguem bater record?


Esse pessoal que esta na arrancada hoje tem verdadeiro pavor de ser comparado com os rachas.Não deveria. Deveriam respeitar suas origens como esporte. E sempre saber que o esporte organizado tem de ser muito melhor e mais emocionante. E se não é assim, onde esta o erro?


Antes de tudo,antes de trabalhar com carros , fui parte do publico.

Quando vou a uma pista quero ver competição. É só ficar algumas horas na arquibancada do Velopark,conversar com as pessoas e ver que elas não entendem o que acontece na pista. Nem as pessoas que correm em provas onde não há eliminatórias conseguem explicar como se dá a competição. Se alguem achar que exagero, basta pedir a um piloto ou "autoridade" do esporte para lhe explicar como se dá a competição que decide o vencedor de uma prova de arrancada sem mata -mata hoje. É só perguntar quando os pilotos se enfrentam, que a casa cai,por que eles não se .enfrentam.

O caminho a percorrer é longo,mas não é desconhecido.

O primeiro grande passo , que era a construção de uma pista ideal para a pratica do esporte,já foi concluido.

O proximo passo esta nas mãos de todos nós que gostamos, trabalhamos e vivemos o esporte.

Senti vergonha ao ouvir o dono da pista dizer "é preciso mais coragem, menos egoismo e mais visão..."


Esta deveria ser a fala dos pilotos e não o que mereceram ouvir.


Até quando?


Houve até um piloto ("piloto"?), que do alto de sua experiência e sabedoria concluiu que a culpa de tudo era do OPEN Day e que ele deveria acabar...

Nos,o Velopark,e todos os que tem trabalhado duramente para que ele seja uma porta de entrada para os que realmente querem competir, não esqueceremos da afirmação,que temos aqui inequivocamente gravada em vídeo.

Até quando?

Sábado, 2 de Maio de 2009

OS AMADORES MAIS PROFISSIONAIS

Os caminhos que me levaram a participar do automobilismo foram desenhados ao longo da vida pela competição.

Desde pequeno, com o futebol que ensinou o valor da disputa, passando pelos carrinhos de lomba rua abaixo no meio do trânsito (o que colocou a adrenalina na equação) até as motos de circuito e de terra onde sempre havia um adversário a derrotar (ou ser derrotado...).A pista brilha com a quantidade de VHT

Não me lembro de um fim de semana - e foram muitos - em que fôssemos para pista sem a intenção de vencer. Claro, nem sempre dá certo. Mas sempre existe a próxima corrida.

Quando meus filhos se interessaram pela arrancada , fui de carona. Não tinha ligação com esta parte do esporte, e como muitos, achava questionável seu valor. Mas se estava motivando meus filhos a perder o interese pelos rachas de rua, já estava de bom tamanho.

Com os fins de semana de corrida se sucedendo, fui aprendendo a gostar deste esporte. Mudei minha visão. Mais que isso, comecei a compreender sua simplicidade e pureza. E, melhor que tudo, comecei a me divertir muito com a competição verdadeira que foi surgindo entre as oficinas, preparadores e todas as tribos que iam correr para - no final - defender suas ideias.

Sem perceber, estávamos todos lá, um bando de amadores envolvidos em uma bela disputa totalmente fora das regras tradionais, que achávamos muito curiosas porque impediam a evolução e colocavam em uma fôrma justamente pessoas que têm como característica principal a independência, e não conformismo. E não estávamos sozinhos: de todo lado surgiam pessoas dispostas a ignorar as regras e colocar seus carros na pista contra este grupo novo que estava surgindo ali.

E, final de semana após final de semana, os amadores iam levando vantagem...

Como sempre acontece com as pessoas de pouca visão, a choradeira começou. "Estão humilhando nossos carros" dizia um. "Aquele MUSTANG não pode correr (em referência ao ECLIPSE - produto da fábrica Mitsubishi, aquela das tvs...) e tantas outras coisas que sabemos que nem vale a pena mencionar. Ir à luta para melhorar o nível, nem pensar!

O tempo passou. A "turma " do sambódromo cresceu, se organizou. Criou uma competição organizada onde cada um pode dar o seu melhor e está se aperfeiçoando a cada dia. Não tem os carros mais rápidos do Brasil, mas tem buscado ir sempre além, e está usando o modelo mais avançado da arrancada do mundo atual.

Isso está acontecendo pelo nosso esforço e pela compreensão do Velopark, que está acreditando nesta forma de ver o esporte. Como o Velopark, nossos pilotos querem o público, querem a disputa, anseiam pela inovação.

Na contramão da história, os mesmos. O grupo que desde o sambódromo não queria mudar nada, agora quer a pista sem o VHT, porque "traciona demais"!

E na outra ponta da corda, nós os AMADORES MAIS PROFISSIONAIS DO BRASIL querendo o Pró Tree...

Se isso é um jogo que decide o futuro, em quem você vai botar suas fichas?



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Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

MEU LUGAR É AQUI

Muitas vezes, em conversas com meu amigo Georgeous "Pomada", ouvi dele a expressão " nós nascemos no país errado..." em referência ao fato de que os melhores carros e as melhores competições estavam lá longe, geralmente na gringolândia (EUA).

Neste momento, para nós todos que de alguma forma ajudamos no nascimento e consolidação da AD , a gringolândia é aqui - "right here" , eles diriam - bem no que a gente pode chamar de Estados Unidos do Velopark.

Desde o início, queríamos competir e... VENCER!

Desde o inicio não entendíamos (na nossa ingenuidade) as segmentações que impediam o enfrentamento de pilotos em uma competição que é a essência do enfrentamento. Qualquer moleque que já ficou parado na beira da calçada olhando dois carros arrancarem ilegalmente em uma sinaleira sabe que um vai perder e outro, GANHAR!

Desde o início, não entendíamos a arrancada onde pilotos vencem sem se enfrentar. É como quando você é criança e joga bolinha de gude " as BRINCA" como se dizia antigamente. Se perdesse , era capaz de apanhar em casa se não soubesse explicar onde foram parar as bolinhas. Para sua suprema humilhação, sua mãe iria buscar as bolitas de volta! Você sabia que estava crescendo quando começava a jogar "as GANHA" , como falavam os guris grandes. E aí você podia voltar com seu saquinho cheio de bolinhas ou sem nada, perdendo até aquela "joga" de estimação...

É sobre isso que estamos falando, vitória e derrota.


E o TOP 16 que acontece no Velopark OPEN esta ficando "AS Ganha".

Ajudei no seu nascimento, vi o quanto as pessoas estão se empenhando para que dê certo, vi a abertura que nos foi dada pelo Velopark. E me surpreendi com a resposta rápida dada pelos pilotos.

Também vi sua felicidade, e, conversando com muitos deles, tenho tido a satisfação de compreender que, de alguma forma, eles sabem que estão fazendo parte de alguma coisa muito importante. E o principal, estão se divertindo e se emocionando. Frequentemente se superando.

Definitivamente, Pomada, meu lugar é aqui . Estou onde deveria estar. E acho que tu também.

Sábado, 28 de Março de 2009

DIFUSOR CICLÔNICO TIPO KRI-KRI

É incrível como a história se repete.

Tenho acompanhado as histórias do Coruja do Box e do Blog do Sanco. O que tem em comum? Em princípio nada, mas...

O Coruja tem colocado uma lente sobre as provas de arrancada no RS, seus atores (pilotos) e seus pretendentes - aqueles que fazem carros com peças fantásticas, mas que nunca ficam prontos.

O Blog do Sanco vem cobrindo a linha de tempo do automobilismo gaúcho desde suas origens e só eventualmente, quando estas linhas se cruzam, tem algo relativo a arrancada.

Aqui voltamos ao "mas"...

Em uma de suas histórias, Sanco conta um pequeno caso do piloto gaúcho Oddone Nicolino Greco. De familia rica, era um playboy da época e reconhecido "gozador", daqueles que não perdoam uma boa piada.

No dia 14 de maio de 1953 , o Jornal Folha da Tarde começou a contar a "História Secreta" da preparação do Fiat 1100 do piloto para a prova IV Circuito Parque Farroupilha (ao lado, foto da largada). Oddone contou ao jornal que iria receber moderníssimas peças da Itália, e que elas transformariam seu modesto Fiat em um "bólido" que venceria a prova.

Para aumentar o espanto dos leitores divulgou a lista do que havia adquirido, diretamente da Europa:

- Um compensador harmônico do eixo entalhado da caixa de redução equilicoidal

- Um seletor octane da regulagem molecular automática do eixo do comando de válvulas;

- Uma agulha magnética de regulagem atmosférica adaptável ao motor com redução de 17/18mm;

- Uma engrenagem elíptico-duodenal do placentório do distribuidor;

- por fim, mas não menos importante, um indispensável difusor ciclônico tipo kri-kri com comando buzinóide, mas sem eletrodo...


Pra melhorar mais a história, espalhou que o seu Fiat fora levado escondido para o interior, onde um mecânico da equipe Fiat da Itália faria as adaptações pessoalmente, longe dos olhares curiosos da concorrência.

E, adivinhem qual foi o lugar de Oddone, na prova do dia 8 de junho?

O seu regular (pra ele...) último lugar!

Greco era um playboy piadista.

O tempo passou e não deixo de reconhecer a semelhança com os dias atuais. Todos conhecemos os projetos com as mais mirabolantes peças, que são lindas nas prateiras.
Geralmente são apenas promessas e nunca chegam às pistas. E, geralmente, quando chegam, são uma grande decepção, para quem gosta de corridas e para seus donos, que, afinal, tem grandes esperanças - e não conheciam as piadas de Greco.

Como Greco, que era um gaúcho playboy e piadista consciente, muitos por aqui viram motivo de piada inconscientemente.

Por essas e outras que se vê todo dia , me dá um arrepio quando alguém vem me falar de booster de "plasma" , quando a realidade me mostra que os argentinos chegam aqui, andando uma barbaridade sem nem mesmo ter um diferencial blocante.