sábado, 3 de dezembro de 2011


A vitória sorriu para Anderson "Boca" - Foto de Orlei Jr
As fotos assinadas que voce vê aqui, pode ser compradas no seguinte endereço: contato@orleijunior.com

ND9 - SHOW  DOS  PILOTOS

Quando um piloto chora depois de uma vitória dura, desejada, quando sua equipe o carrega nos braços, quando seus adversários diretos ficam ate o fim e vem direto cumprimentar, é por que essa foi uma competição que valeu a pena vencer.
Essa é a imagem que vai ficar da ND9. O calor (mais de 50° ali na pista), a emoção, a disputa que até mais que vencer, os protagonistas não queriam perder!

A equipe festejou muito. Foto de Orlei Jr
Anderson da luz  Martins  - o "BOCA"- venceu seu TOP16. Não foi fácil e isso só aumentou o valor do feito. No dia em que os melhores carros  que  já estiveram  em uma ND estavam presentes esta vitória foi como um duelo ao por do sol e só podia sobreviver  um, o "xerife". Neste domingo, foram estabelecidos novos padrões para a arrancada em Tarumã. A marca de sessenta pés de 1,5 caiu como pedra e já não é privilégio de um carro. Anderson (fusca APTurbo), Daniel Moresco(Fusca AP Turbo), Diogo Silva( AudiRS2 4x4 Turbo) e Rafael Andreis ( Eclipse 4x4 Turbo) brigaram a cada passada para ficar com a pole para o TOP16, para afirmar sua supremacia e ter a melhor vantagem na eliminatória.

Audi RS2 4x4 turbo - uma vedação de centavos o deixou na mão.  Não vai ficar assim...
E ai os tempos despencaram.  Mesmo com o calor a casa dos 6 baixos ficou cheia de gente.  O Igor Perotto, que vira isso de Dragster em Tarumã, estava ali  surpreendido e feliz, pois agora tem adversários para "match races" nas próximas etapas. A disputa intensa  também fez vítimas: Daniel Moresco - o pipino - foi o primeiro a abandonar com um tuxo quebrado, bem no fim da classificação quando se preparava para o "último tiro" no duelo pela pole. Dava para ver no seu rosto que doeu ficar de fora.

Eclipse voltou para buscar sua segunda vitória em Tarumã
Pipino - Doeu ficar de fora
Desta vez o TOP teve novatos de destaque. Puxando a fila dos novatos em ND - mas não em campeonatos brasileiros - Diogo Silva trouxe sua AUDI RS2 de 9s nos 402m(Velopark) para ir  pra briga direta. Brigou sempre pela pole e foi o primeiro a marcar 1.5 duro. O som da AUDI é forte, inconfundível. A caminhonete lembra um trem arrancando devido ao seu tamanho e velocidade de deslocamento. Mas que ninguem se engane com a aparência, é um verdadeiro carro de corrida com alivio de peso e muita fibra de carbono. Veio para vencer e os adversários entenderam o recado.

Bonito fusca de Alexandre - o público logo o chamou de "bola de natal" devido ao vermelho metálico.

Alexandre Martins Neto, com seu bonito fusca AP NA (naturalmente aspirado ) vinha logo atras em 4º lugar. Alexandre é um novato na ND, mas não na arrancada tradicional, conhece a Drag Race americana ( já esteve por lá ) e não teve problema em se adaptar rapidamente a competição. Um décimo atras na classificação vinha Bráulio Rocha, o "show man" de Tarumã e que já venceu um TOP. Logo atrás, pouco mais de um décimo, estava Fabrício Chicon. Os dois fazem parte da 1PR, equipe de Boca e isso foi importante no desenrrolar da competição.
Um destes é um verdadeiro "sleeper"...
Em sétimo, a surpresa do dia: leonardo Betat, com o fusca que foi de seu avo, de seu pai, terceira geração. Fusca a ar, 2300turbo, bem acertado, com pneus Drag Good Year (raros por aqui) e com surpreendentes 7.5s nos 201. Um "sleeper" que enganaria qualquer um. E logo após, vinha o chevette de Valdenir de Borba, outro vencedor de Top16. Novatos intrometidos e raposas velhas...Tem muito mais carros que mereceriam a citação aqui, mas a história ficaria muito longa e esses foram os protagonistas mais destacados no Top.

O "veio" queria aprontar pra cima do Boca, mas um eixo quebrado...
O Boca ir vencendo seus adversários era o que se esperava dele. Quando encontrou Valdenir na chave, o "véio" tem reação melhor, pula e bota  o chevette na frente e a 1PR ali na pista emudece... agua no chope de novo não , devem ter pensado! O esforço foi demais pro Chevette e um eixo vai para conta do papa enquanto é possivel ver Valdenir gesticulando e esbravejando dentro do carro. O Boca avança.

Para o Eclipse, vencer era detalhe. Era...
O Eclipse também avança e cruza com o Chevette de Chicon - que deverá ser proclamado  campeão  do 5ºCampeonato AD nos próximos dias - que tem uma arma secreta: um novo câmbio de Dodge com o objetivo de se livrar das quebras. Não passa pelos planos dos Andreis e do Eclipse perder para o Chevette. Largam, o Eclipse não vai bem, o Chevette pula e não tem jeito mais de pegar pois faz seu melhor tempo da vida em Tarumã:7.0s.  Depois , desconsolado, Fabio Andreis me disse que esqueceu o "line lock" travado.

Ai, aconteceu algo que ainda não havia visto: a equipe 1PR e a torcida do autódromo vieram abaixo, como se fosse um gol de final de campeonato. O público entendeu  que para o Chevette vencer o Eclipse era um grande feito. Bonito, emocionante, esclarecedor.

Festa com a vitória de Chicon
A Audi tá viva e vencendo e a pressão pegando. No alinhamento, aparece um vazamento. Para tudo, tem de conferir. É agua.  Selo da bomba d'agua. A AUDI é 4x4 e não tem risco a agua nos pneus , esta indo as finais e quer ficar mesmo com risco de uma queima automática. Explico: a agua que pínga interfere com o laser da fotocélula que lê como se o carro estivesse se movendo. A primeira puxada da certo. A segunda não e a AUDI tá fora por uma gaxeta de poucos reais. Tão perto e tão longe, mas as corridas são assim e sempre tem a próxima.

Nesta puxada, a Audi foi parada por um vazamento de água.
E o fuca do vô, que saiu do nada, passa adiante. Pega o Chicon (chevette) embalado, vindo da vitória do dia sobre o Eclipse. Se enganou feio quem pensou que o fuca era pouca coisa. Cabeçotes vazando, superaquecendo, largam os dois em meio a fumaça que o fuca faz e , o fuca vai puxando, vai puxando e vence! Incrível, o público, os "side liners experts" não entendem mais nada, que qui é isso! Fusca a ar de vô nas finais!

O fuca, contra todas previsões, vai levando o Chevette. Foto de Ana Luísa Correa
Show me the money
Agora Bráulio e seu estilo "win or wall" contra Alexandre Martins Neto e seu jeito tranquilo.  Bráulio larga na frente, já tem um 7.0  contra o 7,3 de Alexandre e a lógica diz que é dele. Largam, Bráulio já vai a frente e ai... erra a segunda e Alexandre não. O aspirado avança e esta na semi final. Conversei com muitos e ninguem tinha visto o Bráulio errar uma marcha nas finais. Para tudo tem a primeira vez. 

Bráulio errou e Alexandre não.
Com a vitória, o $$$$$
Onde está Wally?  Se voce olhar com calma, estão todos ali.
Boca pega  Alexandre na semi e vence sem dificuldade. Tem pela frente agora aquele fuca . Aquele com cara de fuca do vô, mas é bom tomar cuidado por que se não fosse bom não chegaria ali. O fusca, mesmo avariado, não entrega a toalha, Leonardo Betat faz sinal que tá dentro e vai nem que seja empurrando.  O zunzun em volta é geral e engraçado: "esse fusca é o veio dos fuscas de canoas que faz..." É certo, precisamos conhecer o "veio dos fuscas" de Canoas!

Ao por do sol - a hora da verdade
Largam. A nuvem de fumaça é algo inacreditável. E mais inacreditável é que o fuca tá indo, perdendo mas por pouco. Cabeçote vazando, fervendo, mas lutando. Um grande adversário. Boca vence.  Batalhou todo ano, tirou tinta da trave, foi finalista, semi finalista, botou o barranco abaixo...mas chegou lá. Com o time 1PR, que certamente  foi o melhor, teve estratégia e principalmente buscou a vitória sempre. Ha quem não goste deste comportamento de buscar a vitória (?), mas as corridas são para vencedores. Quem acha que a pista é lugar de ir brincar, deveria ficar com o play station. 


Esse bielinha é do Boca
O Jhonny Bonilla, que era o diretor e que efetivamente comandou o nascimento do Velopark gostava de falar na "cereja do bolo". Pois é Bonilla, este TOP foi mesmo a cereja do bolo, em um dia que foi sensacional na pista. O ano termina e um grupo enorme de carros baixou mais de dois segundos em seu tempo  neste período. Aprendeu-se muito sobre tratamentos de pista e um amigo da antiga, do inicio da arrancada, Dogeiro convicto chegou a uma conclusão simples: se em Tarumã, com o asfalto gasto, expondo a brita, em subida se conseguiu este nível de tração, com boa vontade da para fazer qualquer  coisa .


O calor foi californiano
A nota destoante foi o público. Tinha  público lá, público de arrancada e isso é bom. Mas, o número - como sempre me lembra a administração do autódromo - "não é economicamente viável". Nem sempre dá para acertar tudo e essa foi nossa falha. A divulgação não tem funcionado como deveria.

Sai de lá com a convicção de que todos fizemos um grande espetáculo e que estes pilotos que deram  o seu melhor neste domingo MERECIAM MAIS!


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