Após 25 anos de existência sem vitórias, a equipe Dale Coyne de FIndy, chegou lá. Foi no histórico circuito de Watkins Glenn, com o inglês Justin Wilson pilotando o único carro do time.Equipe pequena, mas que sempre soube escolher os pilotos para seus carros, muitas vezes contratou brasileiros que, depois, foram famosos. Dale Coyne, engenheiro chefe/proprietário/estrategista, que passou a vida correndo contra Penske, Ganassi, Andretti ( só os nomes já pesam...) não se conteve , e ao final da prova chorou em frente às câmeras. Estava ali, em um momento de superação e persistência , que demorou quase o tempo de uma vida para acontecer.
Levou 25 anos, mas chegou lá com uma bela vitória, que não foi sorte e em uma pista onde este resultado impõe muito respeito.

Aqui no Brasil, a FTruck chega a Interlagos dia 19/7 com a expectativa de superar novamente o público da F1. Feito excepcional para esta categoria-empresa, hoje menina dos olhos das autoridades esportivas, mas que há pouco tempo nem sequer era reconhecida pela CBA e que correu 7 anos apoiada em liminares e tendo que se declarar como amadora e recreativa.Atualmente, a FTruck está comemorando a extensão do seu contrato com a prefeitura de São Paulo até 2013. E se prepara pra encarar um mega espetáculo, com
mais de 60.000 pessoas na arquibancada, e mais de 10.000 convidados . A abertura da prova será feita pela categoria TOP RACE V6 argentina, com seus rápidos e bonitos carros. E traz com ela , além das estrelas argentinas Marcos Di Palma e Matias Rossi, a presença do campeão
da F Indy e da F1, o canadense Jackes Villenueve, mundialmente conhecido.O impacto da prova é tão significativo, que já existe até uma competição entre os patrocinadores para ver quem traz mais convidados. A Vokswagem promete que vai superar as 6.300 pessoas!
O buffet que a FTruck organiza para os convidados terá 2500 mesas e 10.000 cadeiras. Não por acaso, a FTruck é reconhecida hoje como o segundo público em autódromos em escala mundial, perdendo apenas para a Sprint Cup, principal divisão da Nascar.
E ainda segue levando a outras
cidades o seu programa "Truck Kids".
Esta semana estará em São Vicente, onde o prefeito e os vereadores cederam uma área onde as crianças podem guiar e se divertir com os mini trucks. A única exigência é um quilo de alimento não perecivel a título de ingresso, que será doado a uma instituição assistencial. Os torcedores do futuro estão sendo formados agora.
Na Nascar, nesta época do ano, há uma prova que reúne pilotos das séries de base do Leste e do Oeste. É uma corrida que atrai atenções, pois estão nela muitos dos futuros pilotos de ponta da principal categoria americana. Tradicionalmente, pilotos bem sucedidos da Sprint Cup ( a n°1) participam desta prova para prestigiar os novatos e dar-lhes uma chance de vencê-los em seu próprio campo de batalha. Show e competição garantida.
A ADRL (American Drag Race League) vem chacoalhando o mundo da arrancada com seus públicos records, seus carros fantásticos e com premiações que atraem um grande número de competiores para suas séries classificatórias. E agrega novos patrocinadores, novas pistas e até recentemente, categorias inteiras que abandonaram a NHRA. Tudo baseado na competição intensa de 16 carros na eliminatória final.
Com as mesmas regras, a Liga Árabe de Arrancada assiste a uma disputa feroz entre o Qatar, Barhein e Arábia Saudita pelo título de campeão. Num mundo de príncipes do petróleo, honra e glória valem muito mais que dinheiro, e recursos não são economizados, importam-se preparadores e compra-se o conhecimento necessário para fazer sua bandeira vitoriosa.Ao mesmo tempo, nos sábados à noite por toda a América do Norte, muitas pistas investem sério nas provas de
amadores, com menos regras e mais competição porque simplesmente redescobriram que , como no início, isto é o que funciona. As arquibancadas lotam, e não faltam bons carros para acelerar, em um grande contraste com as pistas que se mantiveram estagnadasem um tempo que já se foi.
Na Argentina, onde o esporte das "picadas" não tem nenhuma grande Drag Way, e sim inúmeras pequenas pistas pelo interior, Buenos Aires é o centro da atividade. Ali, no autódromo Oscar Galvez, a reta é transformada em reta de arrancada nas sextas à noite, porque o automobilismo de circuito a utiliza prioritariamente durante o final de semana. E, mesmo assim, comparecem 500 carros, divididos por dez níveis de tempo. São distribuídas 50 "senhas" para cada nivel e a grande queixa dos hermanos é que são poucas senhas...
Em uma destas oportunidades que a vida oferece, o Carlo aqui da AD, esteve nestes dias de virus H1N1 em Buenos Aires fazendo contatos e em busca de equipamentos para seu Fiat 147 drag. Visitou fabricantes e lojas , fazendo contatos para a AD e se surpreendeu com a vontade de competir dos argentinos. " É incrivel, mas na rua em que fui, onde existem muitas lojas de performance, havia muitos carros de corrida estacionados. E dava para ver que estavam sendo usados por seus proprietários". Outra coisa que impressionou foi a determinação dos fabricantes de fazer
a diferença com seus produtos. Há todo um orgulho em saber que eles proporcionam os resultados que os clientes/competidores buscam.Nada pode ser tão próximo fisicamente e ao mesmo tão distante da nossa realidade. A chave para solucionar essas diferenças é a integração de conhecimento e da cultura de todos .
Enquanto isso, aqui no Brasil...
Todo o dia chega notícia de que uma nova e maravilhosa Drag Way está sendo construída e já estará funcionando num piscar de olhos! Pela descrição , uma mais impressionante que a outra!
Neste ponto sou obrigado a lembrar que já temos uma pista impressionante. Mais que uma pista, um complexo voltado para o esporte motor, que dificilmente será superado fisicamente por qualquer coisa que está sendo feita neste setor no país.
Mas, mesmo antes dela, várias outras pistas já haviam sido construídas aqui no estado em comunidades distantes da capital e que têm muitos adeptos do esporte arrancada. Não ruas adaptadas pela boa vontade de prefeitos, e sim pistas privadas para atender uma demanda que foi reconhecida pelos empreendedores. Elas são os primeiros degraus do esporte.Quantos de nós conhecemos as pistas da São José Eventos (Ijuí) , da Xanadu Eventos (Santo Angelo), a pista do clube de São Luis Gonzaga, do Barril AC de Frederico Westfalen (que ainda deve ser recordista de público aqui no estado) e de Antonio Prado, mais perto da capital ? E provavelmente existam ainda outras que ainda não descobrimos. Foram estas pequenas pistas que popularizaram o esporte pelo interior.











Hoje , os produtores e vendedores de equipamentos para competição de arrancada são um bom termômetro para saber a situação do esporte. E entre eles existe o consenso de que há um desânimo, um descompasso entre o interior e os grandes centros. O surgimento das Drag Ways de primeiro mundo expuseram a real condição de nossas competições e competidores. Muitos acreditam que elas estão desestimulando o aparecimento de novos competidores e de muitos que não sabem mais onde se encaixar.
Além disso, sabem que fica muito difícil tentar uma disputa com os "profissionais" de nível nacional que têm orçamentos bem mais generosos.
De alguma forma este processo precisa ser revertido. A base da arrancada se espalha pelo
interior e dela o esporte depende para ter verdadeira repercussão nacional. Whally Parks aprendeu muito bem esta lição, ao levar suas caravanas por todos os EUA, em 1959, para divulgar a arrancada e fazer nascer a NHRA.
Voltamos à integração. Precisamos de um caminho simples para o interior ter acesso às grandes Drag Ways. A estrada que nos trouxe até aqui, nos ensinou este caminho e ele se chama OPEN DAY. Será que precisaremos dos 25 anos de persistência de Dale Coyne para provar este fato?


4 comentários:
... belo texto... e apenas quero complementá-lo com apenas duas perguntas...
..."do que depende o maior comparecimento dos pilotos do interior, a um OpenDay que seja???"
e..."se já existe uma alternativa em relação ao modo "tradicional" de competir na arrancada (...se esse que é o problema...)...PORQUE ELES AINDA NÃO APARECEM???"
...são questões que precisam ser respondidas...com a palavra... OS PILOTOS DO INTERIOR!!!!!
Essa resposta, Maicon, é bastante simples: por puro e simples desconhecimento do sistema do Open.
Olha a questão ao contrário - é minimo o numero de pessoas por aqui que conhecem as pistas do interior, e olha que a AD já tem muita gente de todos os lugares para passar as informações.
Da mesma forma, a pessoas no interior ficam sabendo muito pouco das coisas que ocorrem por aqui. E quando ficam sabendo, são coisas que afirmam que para poderem correr no VP vão ter que submeter a muitas exigências, enquanto que não é nada disso.
O Open é um evento amador e plural, ou seja , todos são aceitos para participar do esporte. Isso esta no "DNA" do seu nascimento.
Então o que todos precisamos é um trabalho de integração. E , como no futebol, teremos de ir lá também...
A maior dificuldade, é não nos conhecermos!
Bem,
Como foi comentado no blog, na ultima sexta-feira fui a Buenos Aires fazer uns contatos com empresas e fabricantes de artigos pra automobilismo.
Rodei por 2 bairros aonde só se encontram lojas e oficinas, e se percebe que o automobilismo argentino é muito diferente do nosso. Já se sente facilmente que as coisas são feitas por paixão ao automobilismo e não como uma vitrine de status financeiro como acabou virando no brasil. Aqui temos a ideia que automobilismo é esporte de rico, enquanto já simplesmente amam ou correm. Seja com um 147 velho aspirado com comandão andando no dia a dia e indo pra Galvez na sexta a noite correr, ou seja aquele outro que tem 3-4 carros exclusivos para o esporte.
Em termos de estrutura estamos melhor, as lojas de acessórios são bem semelhantes as nossas (é claro, não levando em consideração o preço devido aos impostos), mas em termos de fabricantes e opções de materiais eles estão anos luz na nossa frente. Tudo feito como uma paixão.
O marquinho vai saber, mas aquela propaganda da Chevrolet no canal Speed mostra muito bem isso que relatei.
Abs!
É verdade... a propagandada GM na Argentina,remete a paixão com que as coisas foram feitas ao longo dos anos!
Já no Brasil,as referencias da mesma propaganda institucinal apenas insinua que não precisamos mais pedir licença para fazer nossos próprios carros...
Realmente uma lastima que nem todo mundo possa ver os dois conmerciais para "sentir" a diferença.
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