
Este último Open teve características sutilmente diferentes dos outros em que participei e acompanho desde o nascimento. Cercado de desconfiança, por ser no mesmo final de semana do Campeonato Gaúcho e Brasileiro, provou que as diferenças não são tão grandes como acreditávamos.
Afinal, todos somos praticantes do esporte arrancada, e pra quem gosta de corrida, o importante é ir à pista. Este foi o Open com o menor número de participantes, mas analisando os dados, vendo quem foram , rapidamente dá para chegar a uma conclusão: dos pouco mais de 60 inscritos, metade foi do campeonato gaúcho. E não aconteceu problema algum.

Parece que os acontecimentos do passado estão ficando para trás - o que é de grande importância - e o caminho está aberto para o reconhecimento de outras maneiras de se fazer a arrancada. Até no TOP 16 já havia pelo menos um carro que disputa o campeonato gaúcho e foi muito bom que ele chegasse à semifinal.
Ficou claro que o Open é um evento que tem os braços abertos a quem quiser participar, e assim se integrar na nova base que a arrancada está construindo, não importando de onde venham os competidores.Por outro lado, o reconhecimento do Velopark que o método "up sixteen", ou TOP 16 como foi batizado aqui pela Associação Desafio, é de fato emocionante e produz uma competição que envolve o público, traz grande esperança e uma nova dinâmica ao espetáculo. A instituição de um prêmio em dinheiro, velho sonho do pessoal da AD como uma forma de dar valor ao esporte e encaminhar a formação de times profissionais, ainda que simbólico no valor (R$500,00), é também simbólico na sinalização de para onde o esporte deve ir.
Quando este valor crescer, crescerá, com ele, a chegada de novas equipes interessadas em vencer para buscar este prêmio. Estas serão as verdadeiras vitórias, aquelas que nem precisam de troféu, porque o verdadeiro prêmio será a emoção gravada para sempre na memória.
A AD fez novamente a sua parte. Rafael Andreis, da Equipe GSX - primeira equipe a buscar o profissionalismo nascida na AD - venceu este TOP 16 histórico. Outros carros da AD estavam lá em condições de vencer, mas só ter um bom tempo não basta, e esta é a grande diferença deste sistema que exige qualidade dos pilotos e equipamentos. E põe a emoção em frente aos olhos do público.

Tudo saiu perfeito? Não. A perfeição é uma coisa que sempreperseguimos, e virá com o tempo. O Open teve novo locutor, o Guto, ( substituiu o Perna que fez a competição de kart) e se saiu bastante bem. Teve boa participação, e mostrou verdadeira alegria ao narrar o TOP 16. Por alguns momentos durante a tarde, devido a uma confusão com as informações, assustou muita gente declarando que quem andasse abaixo de 12s estaria fora do Top 16. Conversamos com Guto e desfizemos a confusão, que ocorreu devido a falta de familiarização dele com o sistema do Open. Para ele era uma total novidade, nunca havia participado de uma prova assim.
Mais tarde, durante a fase mais quente da competição, um problema com o tempo marcado pela fotocélula poderia ter tirado a vitória de Rafael Andreis. Com boa vontade, o problema também foi resolvido, o que mostra que as "dores do crescimento" são facilmente superáveis em um evento que busca sua real estatura.

A participação do público, que ainda é pequeno, foi intensa. No episódio do tempo, o público gritou um sonoro "NÃO" ao resultado do placar, em uma cena emocionante. Decididamente, aquele não era um público sonolento e desatento. Conversei com muitas pessoas que estavam nas arquibancadas que nunca tinham visto um TOP 16 e todas me disseram que voltarão ao parque quando ele ocorrer novamente.
O mesmo acontece com os pilotos. Quem conseguiu qualificação entre os 16, quer se preparar melhor para o próximo. Quem não conseguiu, quer se preparar melhor para estar no próximo ...
As pedras finalmente começam a rolar!


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