
Quando uma pessoa ou um grupo tem um projeto e acredita nele, não será qualquer obstáculo que impedirá que este grupo atinja seus objetivos.
Este ideia não abandona meus pensamentos há algum tempo. Desde que focalizei meu interesse no esporte arrancada, descobri um mundo de possibilidades não realizadas, apenas esperando acontecer. Nem todos que conheci neste caminho pensam da mesma forma. Nem todos acreditam que algo precise ser feito, e poucos concordam com as maneiras de se fazer alguma coisa.
Isto me fez refletir muito sobre a situação da arrancada aqui no sul e no Brasil que conheço. E me forçou a ir "estudar" como o esporte se desenvolve na América do Norte - sua pátria de nascimento e onde alcançou níveis incríveis. É a Meca para onde convergem todos os olhares e sonhos.

Assim, pesquisando compreendi muitas coisas. Diferente de nós, os americanos do norte prezam demais a livre iniciativa. Em palavras simples, se alguém acredita que acelerar seu carro seja uma boa ideia e não gosta ou não concorda com as regras existentes, se junta com quem tem os mesmos interesses que os seus, e faz suas próprias corridas. Se a ideia ou o espetáculo for bom, prospera. Não há restrições para aluguel de pistas e menos ainda para o formato que as provas devem ter. É muito simples: dá ou não lucro para os interessados. Se não funciona, vai rapidamente para o esquecimento.
Este pensamento faz parte de um modo de vida. Assim, inconformidades podem ocorrer na base, em uma pequena pista municipal e também podem ocorrer no topo, dentro das maiores ligas. Faz quase um ano que me dedico quase diariamente a ler os cronistas desta situação em andamento, os fatos, as histórias e seus personagens. E apenas agora começo a ver partes importantes do quadro geral, e é até intrigante como o que está ocorrendo lá é semelhante com a situação que temos no Brasil.
Não existe discussão sobre o fato de NHRA ser a maior liga de arrancadas do mundo. Mas também não é segredo que vem perdendo a sua força nos últimos anos - e isso tem significado grandes prejuízos - e enfrentado uma concorrência mais dura a cada dia que passa. Onde esta queda começou e onde vai parar?Sua concorrente mais dura e bem sucedida hoje é a ADRL. De onde veio e como começou a ADRL?
Há cinco atras, o atual presidente da NHRA, Tom Compton, não permitiu a transformação da categoria pro modified de um espetáculo de demonstração para divisão de corridas profissional. Muitos na época lutaram para que isto acontecesse e viam ali um grande mercado em ascensão. Para entender a história é preciso saber que a promod nasceu em uma liga concorrente, a IHRA, que mesmo sendo mais criativa que a NHRA e experimentando coisas novas, nunca primou pela boa administração. Então, por mais de uma vez, Tom e a NHRA negaram o direito de a divisão Promod ser uma categoria profissional NHRA.
A atmosfera era tão venenosa quanto à Promod nunca se tornar uma classe, que Kenny Nowling, Dave Wood, e Tommy Lipar formaram sua própria associação profissional Promod, a ADRL. Isso tudo, segundo as palavras de Jeff Burke, hoje o jornalista que tem a visão mais abrangente sobre a arrancada americana, sendo ele próprio o administrador de uma liga bem sucedida de corridas de dragster nostalgia que não pára de crescer.Em menos de cinco anos a ADRL faz sombra e assombra a NHRA.
A quantidade de dinheiro fluindo para corridas de Promods a partir do Oriente Médio, a boa probabilidade que mais poderá entrar no próximo ano para dar ao time Al- Anabi alguma concorrência, a queda no número de equipes NHRA Pro Stock , a desintegração da IHRA Promod levaram à decisão tomada agora pela NHRA de finalmente profissionalizar uma classe Promod. Com seu próprio patrocinador e meia hora de TV na ESPN.
Esta decisão foi repentina, e está "blowing minds" (algo como explodindo as ideias) de muitos pelos Estado Unidos. Foi um longo caminho desde que Jim Oddy, nove anos, atrás propôs a Tom Compton, Bob DeVore e outros na NHRA fazer da Promod uma corrida de oito carros-show. E viram, para sua frustração, a equipe de Tom Compton absolutamente se recusar sequer a considerar o pensamento de fazer Promod NHRA uma classe profissional.

O tempo mostrou o erro. Hoje a NHRA não é mais a toda poderosa NHRA. Hoje ela luta por espaço - leia-se dinheiro - com a ADRL e todos os clubes independentes do mundo outlaw que acreditavam nos Promod e queriam espetáculos com estes carros.
Fiz este pequeno resumo para chamar a atenção sobre alguns fatos. A versão gaúcha do promod americano - guardando os 50 anos que nos separam no desenvolvimento da arrancada - são os carros que estão sendo construídos dentro da Associação Desafio. Estes carros estão tecnicamente a anos luz de distância dos promods americanos, mas conceitualmente, são primos diretos. Eles estão sendo construídos de acordo com regras muito simples para melhorar seu desempenho com menos dinheiro gasto. Maximização de resultados, assim como aconteceu por lá.

Quando Tom Compton decidiu, esta semana, tornar público a criação da Promod NHRA profissional, caiu o queixo de muita gente nos Estados Unidos. Diz-se por lá que finalmente Compton saiu das sombras de Whally Parks e tomou uma decisão sua, verdadeira, que desafiou sua própria equipe de assessores.
Teremos aqui entre nossos administradores a nossa versão do Tom Compton que resolveu romper com a imobilidade?
Ou seguiremos vendo "Tom Comptons" abraçados ao passado sendo arrastados para o fundo do poço pela realidade? Quanto tempo vai levar? Um ano, cinco ou cinquenta anos?
De um lado, carros lentos, nada de competição . Do outro, a facilidade de informação que nos mostra que alternativas existem e que o esporte não é isso.


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