Conheçam a UBDRA, uma associação de pilotos negros que tem um evento próprio há mais de 30 anos, com o sugestivo nome de Black Sunday. Este evento ou simples corrida nasceu com o nome de Show Up or Shut Up ( mostre ou cale-se) , filosofia que muito bem poderia ser seguida aqui. Simples assim.
Depois, vejam como uma prova experimental criada no início de 2009 para testar uma ideia de correr com poucas regras, cresceu muito rápido e se lança como campeonato independente em 2010.
Finalmente, talvez a entrevista mais importante que já reproduzi aqui no 402m. Scooter Brothers, recém eleito presidente da SEMA (7600 empresas associadas) e CEO do conglomerado de empresas COMP CAMS, revela sua visão sobre o esporte, o que dá certo, o que não está funcionando, a importância da competição verdadeira e dos fãs. Como a entrevista é extensa, sera dividida em duas partes e a primeira parte vira no proximo post.
Aproveitem as informações. Para quem é da arrancada, são esclarecedoras, e para quem apenas está curioso, servem como boas histórias de sucesso. Nestes tempos em que, por aqui tem gente pedindo a padronização para o esporte, os inventores da arrancada nos mostram com sabedoria que a solução para evoluir está em respeitar a diversidade.
Após alguns anos, o sucesso já estava garantido e foi oficialmente adicionado um banquete às festividades da prova. Com o crescimento, o banquete necessitou de grande planejamento e organização e para isso foi formada uma comissão para dirigir o evento. Curiosamente, foi esta comissão que veio a se tornar a UBDRA.
Oficialmente criada em 1994, a UBDRA logo foi reconhecida nacionalmente e se estabeleceu como uma das principais organizações afro-americanas no esporte a motor. Logo nasceu a UBDRA Wisconsin e muitas outras organizações semelhantes em outras partes do país.
Sua missão principal é preservar e promover o esporte arrancada de uma forma positiva entre as comunidades onde atua, sendo negras ou não. Para isso, promove ou participa de vários eventos e os mais conhecidos são a Mostra Anual de Carros, o Show escola, o Anual Awards Banket e o principal - Black Sunday.
O Black Sunday cresceu muito ao longo dos anos e em 2009 foi realizado em três cidades diferentes - Sant Louis (MO ), Byron ( IL) e Indianapolis (IN ) - com novas oportunidades de expansão já previstas.
Não deixa de ser curioso um dos lemas da associação: " ... quando a luz do pinheirinho cai, nós corremos para um amanhã melhor..." .

Piloto UBDRA, Bert Jackson, da RJ Race Cars com seu Pro Stock Cavalier "Lucky draw" do time E-Love em uma final Outlaw da IHRA.
MÉTODOS DE TRABALHO
Show and tell - Seu bairro tem uma escola em dificuldades? O pessoal da UBDRA vai lá com carros, reboques, equipes no dia "mostre e conte" de atendimento e inspiração para as crianças. Este programa abrange desde a pré-escola até o final do ensino médio e busca trazer ensinamentos sobre técnica e segurança de automóveis, sobre os beneficios de uma vida com liberdade e respeito, a importância da permaneência na escola, e a beleza do esporte arrancada como fator de união para tudo isso. E é ainda uma boa oportunidade de conquistar novos fãs.
Jantar anual - O Anual Awards Banket é o dia de agradecer a participação de todos os integrantes. Aos patrocinadores e amigos, a todos que trouxeram trabalho e empenho ao longo do ano. Dia de revelar os destaques do ano e entregar as doações anuais a caridade (já passam de US$150.000) .
Black sunday - É o principal evento da UBDRA, seu dia de corridas. Nasceu como um evento FUBU (for us by us) da comunidade negra, mas hoje é aberto a todos. Tem mais de 30 anos de existência e hoje já se estende por três cidades. É o maior exemplo de integração no esporte motorizado e supera iniciativas como a da Nascar, que tem um programa para inclusão de minorias em suas competições.
2009 foi o ano em que dragways americanas tradicionais enfrentaram o seu destino final e deixaram de existir diante da perplexidade de muitos. Outras , ficaram em péssima situação quando seus administradores simplesmente desapareceram, deixando para trás dívidas problemáticas, que tiveram de ser assumidas por municípios - que eram os verdadeiros donos da pista. Em alguns casos, administradores apenas fecharam temporariamente as instalações, ainda esperando melhores perspectivas no futuro.
Neste quadro, a luz de quem teve sucesso brilhou mais. Caso dos administradores que encontraram soluções para seus problemas locais, deixando de lado as receitas tradicionais, dando um bico para longe nos dogmas estabelecidos e indo atrás daquilo que funciona. Acompanhar a temporada americana de arrancadas de 2009 foi mesmo esclarecedor.
Com espanto, vi a ADRL se tornar uma big league, batendo todos os números da história da arrancada em competidores, equipes e público, usando para isso todos os truques do outlaw - "no rules" diz sua administração, mas já incorporando algumas regras para acomodar o crescimento de nova categoria absorvida da NHRA. Também vi uma NHRA perplexa com tudo que acontece, perdendo espaço e identidade, e tomando decisões que estão longe de ser apoiadas por seus torcedores mais importantes. Muito longe mesmo.
Vi o outlaw reconhecido como maior força econômica da arrancada - agora a namorada que todos querem - ser comandado por pequenos clubes e fazer grandes provas nacionais que atraem gente até de outros países. E mais, são tantos carros, e de tamanha qualidade, que gente desconhecida do outlaw agora detém novos recordes mundiais de velocidade e tempo nos 402m, com door slamers andando à velocidades e tempos que há pouco eram exclusivos de dragsters e funny cars.
Isso tudo é muito legal e mostra o tamanho e a vivacidade deste que é o maior mercado do mundo em termos de performance. Mas está a anos-luz de nossa possibilidade. Esta até a anos-luz dos próprios americanos, porto-riquenhos, e outras etnias (malaios...) que fazem carros four cilinder por lá e que por mais bacanas que sejam não são páreo para um caipira do meio oeste que faz seu 500 polegadas turbo na própria garagem.
Dito isso, vamos a um exemplo que nos interessa.
Para melhorar a receita da pista Gateway Internacional Raceway (GIR) seu administrador criou um evento com regras mínimas. Seu objetivo declarado era trazer para a pista o maior número possível de competidores da região para um prova Heads Up com poucas categorias. Como a própria GIR explicou, um evento orientado para a satisfação de pilotos e expectadores locais, com o foco na região e na viabilidade econômica. Inscrição e ingressos baratos. Seu nome ? Outlaw All Stars.
O sucesso excedeu às expectativas, e de uma prova prevista, acabaram sendo realizadas três em 2009. Vou transcrever para vocês o que os americanos estão dizendo da última, realizada no final do ano. Posso garantir que as repercussões foram importantes porque a revista Drag Racing on Line dedicou quatro paginas à cobertura do primeiro evento e 16 (!) para o último. Com muito mais anúncios. Este é um atestado de sucesso que se pode medir mesmo sem estar presente ao local!
TURBO CARS SWEEP OUTLAW ALL STARS SEASON FINAL
( Carros turbo levam tudo na final do Outlaw All Stars)
Texto e fotos de Bret Kepner
Os carros turbo ficaram com todas as honras nas finais de temporada do Outlaw All Stars, competição experimental realizada durante a temporada de 2009 no Gateway Internacional Raceway em Madison, Ilinois.
Esta foi a terceira edição do novo evento e provou a viabilidade de um programa orientado para os espectadores. Oferece opções para uma variedade de competidores heads up, sendo o evento uma real alternativa econômica para todos, pista e competidores. A primeira corrida do OLAS não teve regras nas três categorias principais, apenas uma divisão por tipos de pneus. No total, teve cinco divisões com index de tempo , de 10 a 14s.
O sucesso da experiência inicial levou a uma segunda prova em meados do verão, que novamente superou o número de pilotos e torcedores do primeiro. Dai nasceu a ideia de fazer uma terceira corrida para finalizar a temporada de 2009 da GIR e mais uma vez pilotos e público compareceram em massa. Esta prova final foi ampliada para dois dias (incluindo uma seção de treinos aberta no primeiro dia) . O tempo estava perfeito, após uma semana de chuvas.
Projetado para ser uma competição Heads Up com taxa mínima de entrada (e com a premiação contingenciada pelo fluxo de público) o programa mostrou que o desejo de muitos é simplesmente aparecer e correr. Uma das orientações da série é promover os pilotos locais como atração principal, o que não impediu que nesta última prova devido a fama conquistada, comparecessem muitos pilotos que estão baseados a mais de mil milhas de distância. De toda a forma, todos os três eventos alcançaram este objetivo.
Mais importante, o formato foi criado para oferecer aos torcedores competição em ritmo rápido, conciso. Foram sete horas de show, onde das eliminatórias às finais não foram gastas mais de duas horas e meia. Tudo por modestos 10 dólares por espectador. Incrivelmente, nenhum dos três eventos terminou com mais de 30 minutos de atraso.
O formato foi tão bem sucedido que não houve alteração nas regras ou conteúdo. Apenas a adição de duas categorias de moto na etapa final - a outlaw bike (livre) e outra com index de tempo de 9.5segundos nos 402. Isto acrescentou nova dimensão ao evento que terminou com caracteristicas de show. O sucesso também é um reflexo do fato de que a inexistência de normas manteve todos livres de controvérsias e revisão de resultados, tão comuns onde há muitas regras.
Tanto nos carros como nas motos, as únicas restrições eram as normas de segurança obrigatórias ( iguais as grandes ligas). Na Super Street Eliminator o pneu máximo permitido era o 10,5 drag racing e na Drag Radial, pneus com no máximo 13 polegadas e D.O.T. O whellie bar só era permitido nas classes eliminatórias outlaw de carros e motos.
PREDOMíNIO TURBO
O construtor de chassi Larry Larson, pilotando um Chevy Nova 66 Turbo, conseguiu sua primeira vitória em 1/8 de milha, na classe outlaw eliminator. Dave Heinbach venceu a classe outlaw bike com sua Kawasaki turbo. O veterano em Pro mod, Dan Saltz, levou seu daily driver - um Mustang turbo - a vitória na classe radial. Por fim, o favorito da torcida, Mark "Woody" Woodrof foi eliminando seus adversários com sua corvete 67 turbo. O seu tempo na final foi 7.51 a 197,68 milhas.
Rich Schaefer, manager da GIR, ainda não lançou o calendário oficial para 2010. Porém, tornou público que vai expandir a serie All Stars, o mais popular dos novos programas da pista.
Larry Larson e seu Chevy Nova 67 Turbo vinham de vitória na Drag Week da revista Hot Rod, onde dirigiu o carro por 1.200 milhas em cinco dias, e fez tempo de pista de 7.3 a 204mph. Larson "varreu" a classe outlaw eliminator no 1/8 de milha com 4.72s a 164,73 mph no All Stars. O Nova é twin turbo, com motor de 565 polegadas e dono de um 60 pés de 1.26s. E o carro veio rodando!
Destaque da ADRL, John de Florian fez 4.o3 a 186.46 mph no oitavo de milha com seu Corvete de 820 polegadas empurrado por óxido nitroso.
Woody Woodruff abriu caminho para o título com brilho. Classificou com 7.51 no quarto de milha e 4.9 no oitavo de milha. Na rodada final virou 7.71 a 197.68 mph e este esforço foi vencedor com 1.26 nos 60 pés.
Cathy Belcher, a piloto mais rápida do oeste, favorita do público, entreteu a multidão e quase acabou com o pinheirinho em um burn out ultrajante. Logo após fez uma passada andando de lado de maneira assustadora. O dia chegou ao fim para ela quando o compressor quebrou na eliminatória contra Larry Larson.
Heimbach vinha muito bem com a Kawa turbo - 7.45 a 188,48 mph - mas a moto não saiu ilesa da semi final. Foi para a final sabendo que não poderia fazer melhor que 10s o que seria derrota certa. Mas observem a foto, sua adversária, a piloto Heather Wagner (pista de trás) tropeça na linha de partida e queima sua chance de vitória!
Este Caddy é frequentador da ADRL. Um dos carros mais exclusivos da Ten five . O incrível Cadillac twin turbo de Scott Lowry sofreu danos durante a seção de treinos.
Muitos carros movidos a E85, o nosso etanol. Um movimento verde como o F Indy.
W. Eberhardt conhece bem a capacidade de influenciar a multidão...
Jonh Cadenhead qualificou seu station wagon Malibu de 515 polegadas e muito nitro nos 8s a 155 mph com drag radial. O "encouraçado" acabou com um pistão derretido pelo esforço.
Com status de obra de arte, este Charger 69 de propriedade de Bo Peebles classificou como runner up na final da Drag radial. Esta foi a terceira participação em provas este ano deste carro construído por Andy MacCoy Race Cars, com dois turbos AMT 500. Ironicamente, Bo foi derrotado pelo piloto e preparador Dan Saltz (Mustang turbo) na final, justamente a quem havia pedido um patrocínio...
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Surpreendente é pouco
















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