
O esporte é a alternativa mais eficaz que a humanidade encontrou para as guerras. Nele desenvolvemos tecnologia, aprendemos o valor da liderança, do companheirismo e a trabalhar em conjunto na busca de um objetivo. No esporte e na guerra buscamos a vitória.
A diferença fundamental é que no final das batalhas na guerra temos como resultado a perda de vidas, e no esporte a celebração dos vencedores.
O automoblismo - em qualquer de suas formas - é um esporte de risco. O risco é o que o torna emocionante, assim como é muito difícil ficar indiferente à velocidade e à potência quando podemos sentir seus efeitos. É o que fascina o público e a maioria dos pilotos.
Mas não significa, de jeito algum, que eles queiram se machucar. Ou mesmo que a torcida - que sem dúvida aprecia a emoção feroz do acidente - queira ver um piloto ferido. Todos querem ver o piloto sair do carro, fazer sinal de positivo para a torcida e sair caminhando como um super humano. Renovando nossa fé de que o impossivel é possivel diante de nossos olhos através das maquinas que construimos para interagir com o mundo.
Para isso funcionar, ser o espetáculo envolvente que dever ser, é preciso pensar em segurança com severidade.
Foram longos e angustiantes 10 minutos para libertar o piloto. Com cuidado redobrado, os socorristas enfrentaram dificuldades inesperadas, pois o piloto ficou preso pelo painel do carro, justamente na região em que estava machucado. Para dificultar ainda mais, a existência do banco do carona não dava espaço para o trabalho de resgate. Essa realidade chamou a atenção de Bonilla. A gaiola de proteção mostrou claramente seu valor e garantiu a vida do piloto. O novo suporte do banco exigido em 2010 fez seu trabalho e o equipamento se manteve no lugar.
Já com o piloto na segurança de um hospital - fêmur quebrado e a certeza de um cuidadoso trabalho de recuperação - sobraram as reflexões. Relembrando a experiência em uma conversa aberta Bonilla se perguntava:" por que um carro de corrida tem um painel que compromete a segurança? Por que tem banco do carona se isso só atrapalha o trabalho dos socorristas e compromete tempo vital no auxílio ao piloto?"
O que ficou da experiência é a certeza que carros tão rápidos precisam de proteção para os pilotos. E este é um fato que não pode mais ser desconsiderado ou negligenciado.
Nos últimos anos tenho me dedicado a trabalhar pelo desenvolvimento da arrancada através do fortalecimento da base. Fiz bons amigos ao longo deste caminho e não aceito o fato de que mais dia menos dia terei de ouvir a notícia de que um deles tenha se ferido gravemente em uma competição. Ou ainda pior.
Não aceito porque sei que isso não precisa acontecer. Os recursos de segurança existem, são de tecnologia conhecida e acessível a qualquer um que tenha um carro que pode chegar aos 200km/h em 402m. Não se iludam acreditando que o monobloco do carro será o suficiente para garantir sua integridade. Olhem as fotos com calma. Analisem bem as imagens . Elas valem mil palavras.
O esporte automobilístico tem riscos, o que só aumenta sua atração. Os carros vão andar cada vez mais rápido, porque a sede de aprender e evoluir é uma das grandes qualidades do ser humano. Mas lembrem-se que isto é, antes de tudo, uma celebração dessas qualidades. Se os acidentes serão inevitáveis, as consequências não são.

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