segunda-feira, 8 de março de 2010

A SEGURANÇA NA PRATICA

        Segurança é um assunto necessário, mas que  tenho algum receio de abordar. Todos concordam que é mesmo fundamental, mas na hora de pôr em prática, o comportamento muda e a lista de desculpas para não fazer o óbvio poderia encher muitos livros de estórias.

Vou contar uma pequena história ( verdadeira...) que aconteceu com um piloto brasileiro e gaúcho nas frias terras inglesas. Garanto a vocês que não é fácil correr fora do Brasil apoiado apenas no  talento, porque lá, como aqui, a velocidade custa caro, ainda mais quando não estamos falando de arrancada.

Mas voltemos ao nosso personagem. Um pouco antes de viajar para o exterior nosso piloto comprou aqui mesmo seu primeiro capacete de qualidade, um Bell exclusivo para competição. Usadinho bom, como se diz, mas com a validade vencida. É um equipamento caro e era o jeito de fazer caber em um orçamento apertado.

Pintamos o casco com as cores do piloto e logo depois ele foi para Inglaterra. Em sua primeira prova,  na pátria do automobilismo de competição - pelo menos era assim para os pilotos daquela geração -  ele se preparou para enfrentar a vistoria técnica. Macacão novo, comprado por lá, tudo  ok. Tudo ia bem até que o fiscal pediu o capacete. "Sem problema", pensou o piloto com seu Bell homologado.

A cena que se seguiu, para ele, foi chocante. Com o capacete na mão, depois de um rápida olhada, o fiscal sacou uma tesoura do bolso e sem dó cortou os tirantes de fixação inutilizando o  equipamento. Antes mesmo de o piloto  esboçar qualquer protesto, começou a ser severamente repreendido pelo fiscal sobre a necessidade de ser responsável sobre seu equipamento pessoal de segurança. Era sua obrigação, afirmava  ele  com veeemência e dureza no olhar. E, para completar, deu poucos minutos para que um novo capacete aparecesse ou o carro e piloto seriam sumariamente excluídos da competição.

O problema foi rapidamente resolvido na lojinha de Brands Hatch com a ajuda dos amigos e  dos mecânicos e o piloto correu, com um belo resultado até. Depois da experiência, ele se convenceu que por lá não haveria  o "jeitinho " brasileiro e cuidar do seu material virou uma prioridade que até hoje mantém.

A arrancada precisa se preocupar menos com a cor da bomba de combustível e muito, mas muito mais  com  o estabelecimento de normas de segurança lógicas e eficazes para os carros. Conforme evoluem em seus resultados, a segurança precisa evoluir com eles, com  regras claras e bem definidas sobre equipamentos e velocidades onde precisam ser aplicados.

Mais importante ainda será o surgimento de órgãos  independentes e sem fins lucrativos (fundações,universidades) para testar os equipamentos disponíveis e certificá-los  com seus respectivos níveis de segurança. De uma maneira clara, sem dúvidas.

Neste momento em que o esporte aponta para um ciclo de desenvolvimento, normatizar correta e claramente a segurança tem de ser a grande prioridade, mesmo antes da preocupação com estandardizar regulamentos.

Para que todos entendam como as coisas são lá fora: a menos de um mes, "voou" fora a roda do dragster de Anton Brown, piloto do time de Tony Schumacher.  Matou uma espectadora na pista de Firebird Raceway. Este fato está tendo enormes implicações, que vão desde  a discussão de aumentar os alambrados nas pistas, criar um "tirante" como há na FIndy e FI que segure a roda, indo  até ao nível do pedido de retomada da terra onde está a tradicional Firebird ( em Fenix) por parte dos índios, que lá vão fazer um cassino e querem  aproveitar a oportunidade para anular o contrato de seção.

O acidente foi em uma prova da NHRA, que está  envolvida em todas estas discussões. Mas foi na American Drag Race League - ADRL - que veio a primeira reação. A liga proibiu, neste final de semana o uso de titânio nos tirantes de suspenção (como os braços do four link) por suspeitar que eles foram  os responsáveis pelo problema.


Segurança não é brincadeira e exige definições que não são passíveis de questionamento depois de adotadas.

Pensem duas vezes quando afirmarem singelamente que não querem pôr uma gaiola de sobrevivência no carro para não "cortar o painel", peça de plástico  de pouco valor que pode ser substituída  facilmente. Se você não pensa em segurança, não poderá fazer parte  do mundo das competições e da velocidade.

Ok. Você se considera um amador. Certo. Então terá de se contentar em andar como um iniciante.

Nem menos, nem mais.

2 comentários:

Anônimo disse...

Marco, bom dia...é o Alex do Jornal Automix. Estou no RS e perdi meus emails todos. Irei para o Velopark no domingo, mas sexta-feira estarei em POA, caso queira, podemos almoçar juntos. Meu telefone: 1978023609 ou nextel 85*33293 - msn contato@jornalautomix.com - pode mandar para emu email que as msg novas estao normais. alexglaser@gmail.com

grande abraço,

alex

melevaneurotico disse...

vc viu q sabado no V.P um golzinho se esborrachou no fim da reta e o cara se machucou? quebrou a perna e tal...estranho q a coisa foi meio "abafada" retiraram carro e piloto por tras da pista e não se comentou o caso...