segunda-feira, 12 de abril de 2010

PROfissional - MODificado





Para a maioria das pessoas que tem contato com a arrancada, a sigla Pro Mod não significa muito. Para alguns é algo que lembra vagamente carros muito rápidos da distante América do Norte. Outros preferem ignorar conscientemente, alegando que está muito fora da nossa realidade, preferindo aprender com o que é semelhante ao que fazemos por aqui.


Quem me conhece sabe que não penso desta maneira. Acredito que a Pro Mod e seu significado tenham fundamental importância na arrancada moderna. A Pro Mod não nasceu na big league NHRA e sim em uma liga menor mas mais criativa, a IHRA. Quando os praticantes de Pro Mod tentaram ao longo de 15 anos fazer parte da NHRA, foram rejeitados reiteradas vezes.


Como na América no Norte a LIVRE INICIATIVA é parte fundamental do pensamento social, os pilotos, construtores e a torcida seguiram sua trajetória e foram se desenvolvendo. Formaram clubes, associações por todo o país e finalmente uma liga, a ADRL, que se tornou a maior rival da NHRA. Sua presença foi tão decisiva, que a NHRA, depois de 15 anos de negativas, resolveu em 2010 criar a sua divisão Pro Mod com toda a pompa e circunstância. Status de profissionais de primeira linha com show de televisão próprio e lugar principal para colocar os caminhões-trailers no dia do espetáculo. Lá, isso é uma das coisas mais valorizadas. O dinheiro falou mais alto e a filosofia do "se não podemos vencê-los, vamos nos unir" entrou em ação.



O que tudo isso tem a ver conosco?

É muito simples. O movimento Pro Mod se desenvolveu à revelia, à margem do interesse da grande liga, que equivaleria aqui à CBA. E conseguiu fazer isso porque uniu pilotos, construtores, público e os indispensáveis patrocinadores. Com um belo e diversificado espetáculo, com poucos regulamentos e com carros realmente velozes, cairam no gosto do torcedor.


Analisem os fundamentos:

1 - Sem retrição de peso ou motorização. Isso era a garantia que cada um poderia construir com seu melhor recurso e inventividade, desde que respeitadas as normas de segurança.

2 - Apenas carros door slamers, que lá são assim conhecidos por ter portas e se assemelhar a um carro de produção, de grande identificação com o público. Nada de dragsters ou funny cars.

3 - Ingressos a preços polulares e um trabalho social para a mobilização do público.

4 - Envolvimento dos patrocinadores.




Seguindo estas ideias, em cinco anos a ADRL bateu todos os recordes de público e de times profissionais inscritos em suas provas. Ofuscou um trabalho de 50 anos da NHRA, que não ouviu suas bases e optou por mais do mesmo, sem compreender que as coisas mudam. Além disso, a ADRL não estava sozinha nesta invasão das pistas que esteve em gestação por anos. As provas de final de ano organizadas por proprietários de pista e clubes como o PSCA - Orlando Nationals e Vegas Nationals - ganharam importância mundial e as estrelas são os Pro Mod.

Os conceitos da Pro Mod são simples de entender. Colocar o maior motor, a maior turbina, o maior compressor ou a maior quantidade de nitro em um carro capaz de suportar com segurança tudo isso, e que agrade ao público. E fazer um espetáculo de força bruta que emocione o torcedor, que seja disputado e que dê possibilidade a vários vencedores.
Existe muita semelhança nisto e em tudo o que tentamos fazer por aqui, desde o início da Associação Desafio. Nunca houve uma limitação para os carros ou o que se poderia fazer. Sempre houve, isso sim, a busca da evolução com os recursos possíveis a cada um. Isso é o mais perto que dá para chegar por aqui da ideia Pro Mod. A limitação era aquela que cada um impunha a si mesmo, seja por possibilidades financeiras ou ambição.

Isso, mantendo a diversidade dos carros, sem criar um tipo de monomarca como acontece nas competições nacionais. Conseguimos colocar este conceito em prática e vimos muitas vezes os carros mais diferentes se enfrentando em disputas ferozes, como se espera de um Pro Mod.

2010 é o ano em que a AD poderá chegar a um novo patamar. Nem mesmo a determinação do Velopark em diminuir sua pista para 201m -1/8 de milha poderá deter a vontade de quem quer construir carros vitoriosos sob qualquer circunstância. Só para lembrar aqui: os carros da ADRL só correm em 1/8 de milha e as velocidades já chegam a 340km/h com tempos de 3.6s.

Também só para lembrar: dominar os 201m é a condição fundamental para vencer em 402m.

Sei bem que estamos muito, mas muito longe do profissionalismo que existe mundialmente na Pro Mod. Mas não estamos longe dos ideais e nem mesmo das inúmeras competições de ProMod que acontecem em pistas pelo mundo afora. Lá, como aqui, os concorrentes têm a ajuda de amigos e familiares para fazer seus carros. Lá, muitas vezes as pistas também são sujas e esburacadas. Mas delas, volta e meia sai alguém que faz bonito no cenário nacional.



Como aconteceu por lá, aqui os responsáveis pelo esporte também não entenderam nosso valor. Como lamentar não faz parte do meu dicionário, sempre espero que todo mundo vá à luta e faça seu melhor. Posso garantir que continuo seguindo minhas ideias.



Fotos: ADRL
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Edições anteriores:


A SEGURANÇA NA PRÁTICA Segurança é um assunto necessário, mas que tenho algum receio de abordar. Todos concordam que é mesmo fundamental, mas na hora de pôr em prática, o comportamento muda e a lista de desculpas para não fazer o óbvio poderia encher muitos livros de estórias.



O RISCO FAZ PARTE. PENSE NA SEGURANÇA. O esporte é a alternativa mais eficaz que a humanidade encontrou para as guerras. Nele desenvolvemos tecnologia, aprendemos o valor da liderança, do companheirismo e a trabalhar em conjunto na busca de um objetivo. No esporte e na guerra buscamos a vitória.

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