domingo, 9 de maio de 2010

5 ANOS


Tenho pesquisado bastante sobre o esporte arrancada no mundo e é impressionante como é fácil observar a evolução nos últimos anos. Do fundo das garagens para o mundo. Já comentei aqui que a facilidade de acesso está tranformando esta modalidade de esporte motorizado naquela que tem o maior número de adeptos por todo planeta.

No último ano (2009), um aspecto novo foi dimensionado - ou pelo menos passou a ser conhecido - e mostra que o público da arrancada também aumenta globalmente. Isto criou uma dinâmica mais veloz na evolução. Maior público teve um efeito direto neste novo mundo: mais dinheiro. A exposição de um carro, uma equipe, um piloto, como display de marca tem valor diretamente proporcional ao número de assistentes presentes na dragway, assistindo pela televisão ou sendo influenciados por outras formas de mídia. A internet é também o novo fator da mudança.

Neste cenário, a luta pela vitória, pelo sucesso e pelo dinheiro como recompensa fica a cada dia mais aguda. Com ela, se fortalece o profissionalismo e floresce a arrancada. A sensação americana -ADRL - exibe números sobre a frequência a seus eventos que deixam para trás todos os esportes profissionais americanos a excessão da Nascar (esta também outro fenômeno). O comparecimento às pistas de arrancada tem superado o dos estádios de futebol americano, basquete e basebol.


Algo semelhante acontece na Austrália, que advoga para si o título de segundo país no mapa da arrancada mundial. O Channel ONE, que é o principal do pais na transmissão de esportes (o primeiro em full HD) divulgou uma lista onde revela que as provas de arrancada da ANDRA estão na liderança dos TOP 20 eventos mais assistidos. Com grande diferença sobre a concorrência.


A ANDRA também divulga com orgulho em sua página na internet que seus eventos são a mola propulsora da economia de estados australianos. Tem recebido apoio do governo australiano por reconhecidamente gerar arrecadação, empregos e riqueza para as comunidades onde está inserida.





Em outro nivel, mas com igual importância, o desenvolvimento da arrancada em Porto Rico, está colocando este pequeno país no mapa mundial de foma muito positiva. O intercâmbio com os EUA cresceu muito nos últimos anos e foi o combustível para reativar o movimento import/sport compact que vinha perdendo força frente a arrancada tradicional americana. Na verdade, o que está realmente acontecendo é uma integração de culturas e se pode ver o enorme conhecimento americano de construir carros de arrancada sendo englobado pelo pessoal dos sport compact, assim criando uma nova cultura, onde podemos ver um pouco de tudo.




Amador x profissional 2


Ao olharmos todo este quadro em movimento, podemos ter uma leitura que indica o seguinte: o esporte é de forte base amadora, que colabora no seu sustento e geração de riqueza com os gastos para fazer parte, participar do esporte. Os amadores são a alegria das empresas, pois consomem produtos de performance para deixar seus carros mais competitivos e assim corresponderem às suas expectativas.



Em algum ponto, há uma linha a ser transposta em busca de maior performance e profissionalismo. Quem passa a competir como um meio de vida, gera muita riqueza mas também se beneficia diretamente desta mesma riqueza, ao ter a capacidade de colocar um valor por seus resultados em frente ao seu público. Mais até que um meio de vida, este é um estilo de vida que passa ser copiado, desejado e por que não, invejado. É parte da maior máquina econômica do planeta, a indústria do entretenimento.

Podemos então concluir que os verdadeiros profissionais são os que veem a pista como seu local de trabalho e estão lá pela carreira, pelo dinheiro e pelo reconhecimento (não necessáriamente nesta ordem).

Já o amador é aquele que vai à pista para se divertir. Se houver público é um bônus, uma sensação a mais. Mas o foco principal é o seu prazer em conhecer e superar seus próprios limites. Assim, uma característica das provas amadoras é o pequeno público e grande número de participantes. O que de nenhuma maneira lhes tira a importância e a validade, pois são porta de entrada para novos talentos e garantia de evolução e renovação na pista. Feche esta porta e futuro desaparece.

Também já ficou claro que os grandes públicos estão reservados para grandes shows. Onde há competição verdadeira, onde pilotos e times podem ser reconhecidos por suas competências e resultados, temos garantia de grande bilheteria. Tem muita gente, em todos os lugares , que pensa que promoção é suficiente para grandes espetáculos, mas a realidade tem sido dura na hora de desfazer ilusões. A promoção, o marketing, são fundamentais mas não resistem se o espetáculo não tiver qualidade e as audiências já deram mostras de saber escolher o que lhe convêm. Ou seja, se quisermos um grande evento, com um público massivo, grandes arrecadações, teremos de ter profissionais em todo os níveis, da pista até a administração.



A verdadeira evolução vem com o desenvolvimento das provas. Por todo o mundo temos novas ligas e novos formatos da boa e velha arrancada. O que se mantém intocado é o mais antigo fundamento: carros lado a lado, alguém vai vencer e alguém vai perder. Sempre glória e derrota instantânea, melhor que o gol. As de maior sucesso são as que misturam competição feroz com a quebra de limites e preconceitos.





O mundo do sport compact atravessa um período de renascimento e já são comuns carros de motores pequenos de 4 e 6 cilindros beliscando os 6s em 402m. São resultados que ofuscam a outrora poderosa categoria rainha dos carros v8, a Pro Stock da NHRA, que sofre de crônica falta de evolução, o que causa o desinteresse do torcedor. Assisto regularmente às provas do campeonato australiano, e na Pro Stock de lá é o mesmo fenômeno: carros lindos, muito competitivos na casa dos 7s, belas disputas, mas a arquibancada está vazia. E lá, elas são muito grandes, o que torna tudo ainda mais desanimador.

Enquanto isso nas provas Inline4 Jamboree, onde a marca é a diversidade, vemos Toyotas enfrentando Mazdas rotativos, na casa dos 6s com casa cheia e público vibrante. E esta situação se repete em outros continentes.





O que isto nos mostra?

Que não ha mais uma "fórmula" como a desenvolvida pela NHRA por 4 décadas depois de solidificar suas regras. A rapidez do mundo moderno invadiu a arrancada, e com ela trouxe as novas tecnologias, computadores , injeções , turbos, conhecimento repassado via internet. Fique parado e você desaparecerá. A garagem evolui mais rápido que pista, e a vontade de superar limites tem andado à frente das regras e de quem as coordena. É o retrato do próprio sucesso, que não é antes de tudo, superar o seu tempo?

Uma coisa é certa: o Brasil sempre está pelo menos 5 anos atrás do primeiro mundo. Isso ocorre em todas as áreas, e nos esportes de base tecnológica o atraso pode ser ainda maior. Mas para os nossos praticantes de arrancada isso pode paradoxalmente ser algo bom. Pilotos, equipes, construtores e empresários que esperam algo da arrancada têm 5 anos para se preparar. Serão anos decisivos para a pretensão e sonhos de muitos.

Segue na próxima semana.

Abraços a todos.

4 comentários:

  1. 1,20 minutos, na titan tb tem marretada hahahahahahahah!!!!!!
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  2. Claro né... também é uma oficina!
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  3. I like use viagra, but this no good in my life, so viagra no good.
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