
Começou em uma cidade do interior alguns anos atrás. Em uma desconhecida pista de 201m com lugar para 2000 espectadores, e hoje é um evento que viaja o mundo na velocidade das transmissões por satélite da rede FOX e do Speed Channel.
Sua última edição, que ocorreu neste final de semana, recebeu 32.000 (o número é este mesmo!) pedidos de inscrição para 450 vagas - 400 por inscrição normal e 50 por sorteio. O sucesso é realmente um fenômeno. Pinks All Out conseguiu chegar ao coração de quem gosta de arrancada na nação que inventou o esporte. A dimensão do sucesso pode ser conferida pelo resultado do evento Pinks na gigantesca Z-Max, onde conseguiu público recorde colocando sombras sobre os resultados da poderosa NHRA no mesmo local.
Há alguns anos, quando comecei a me interessar por arrancada, a primeira coisa que li sobre Pinks foram críticas. Elas davam conta que o evento não tratava de arrancada e sim era um reality show que o tempo não perdoaria.
O tempo passou, e li do mesmo crítico a conclusão de que a visão errada era a dele e que Pinks era, sim, a arrancada buscando as suas raízes. São apenas palavras. O fato é que o jogo ficou pesado e o sucesso popular levou Pinks All Out a ter patrocinadores do porte do US Army e da mega rede de autopartes NAPA. Dois da seleta e pequena lista de parceiros mais cobiçados por qualquer esporte.
Cada um com seu show de manobras...
Mas, o que é Pinks?
Por que correr ou assistir um evento Pinks?
Vou transcrever o que esclarece o site oficial do programa como definição:
"Das luzes da cidade ou das silenciosas estradas do interior, eles (os competidores) vêm com suas experiências de vida, com seu carro, com um sonho e um desejo ardente de vitória.
"Agora, milhares de fãs lotam as arquibancadas a cada ano para ver centenas de competidores inundando o 1/4 de milha com o som do trovão, agarrados ao volante de um carro que eles mesmo construiram... sem patrocinadores, sem equipe de apoio, com apenas uma regra em sua mente: correr com tudo e vencer! (run all out). É a grande chance dos pilotos da base correrem cabeça a cabeça em busca de fama e glória. Com cobertura nacional de tv e com a chance de lutar pelos 25.ooo dólares em dinheiro e prêmios."
Sobre a corrida em si:
" Centenas dos melhores pilotos de drag racing (amadores ou não) vêm para a pista em busca da glória e do dinheiro.
"O apresentador Rich Christensen dirige a ação durante todo o dia, controlando os pits e egos no quarto de milha.
"É pedal to the metal a partir do momento em que o primeiro carro sai na linha até o último cruzar para a vitória final e total. Cada piloto acredita que tem o necessário para vencer, mas apenas 32 entre 450 conseguirão. Aqui quem vence sobe e quem perde vai para casa, sem negociação ".
O Canal Speed começou a transmitir o All Out para o Brasil. Vale a pena conferir.
Lá estão todas as bases para um evento de sucesso.
1 ) A ação não para. São mais de 900 puxadas valendo um lugar .
2 ) Seleção progressiva até chegar nos 32 finalistas.
3 ) Minimum Flotation. Regra que estabelece o tempo final mínimo para classificar com base no desempenho dos candidatos. Também estabeleçe que ao chegar ao seu melhor tempo, cada corredor tem direito a uma variação de seis décimos para baixo em seu melhor tempo. Se melhorar mais que isso será desclassificado, pois é um indicativo que estava escondendo o jogo e não andando all out ( tudo que dá). É a garantia de disputas apertadas e que muitas vezes geram controvérsias.
4) Final melhor de três, com pemiação de 10.000 dólares em dinheiro e uma caixa de ferramentas de 8.ooo doláres.
5) O carro tem que ser bom o suficiente para competir por várias puxadas sem possibilidade de auxílio nas finais.
6) Carro que suja a pista é automaticamente desclassificado por atrasar o evento.
Certo mesmo é que independente do que se pensa sobre o show, corrida, evento ou como você quiser chamar ou entender, Pinks All Out é a coisa mais outlaw que existe hoje. Nada foi tão longe.
MAIS QUE PINKS, SÓ A DESAFIO
De uma maneira incrível, a Associação Desafio desenvolveu uma maneira de correr arrancada ainda mais participativa que Pinks. E isso aconteceu lá no distante 2006, onde ninguém que eu conheça sequer havia ouvido falar do All Out e do movimento de volta às raízes do esporte, que tem como principal representante a ADRA (Arms Drop Racing Association).
Esta foi a ideia aplicada na criação do Campeonato Amador da AD e no TOP 16, primeiro evento onde competiram 16 carros pela vitória em eliminação direta sem categorias, em 2008, no Velopark.
Estes fatos nos colocam frente a uma questão muito interessante: onde teríamos chegado se aqui fosse a terra do tio Sam com sua liberdade de iniciativa e tradição de apoio a quem arrisca?
Pensem nisso.
Abraço

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