
Escrevi aqui na semana passada que não acredito no acaso.
A NOITE DO DESAFIO foi transferida por duas vezes devido ao clima, antes que pudesse acontecer. E isso nos deu uma noite maravilhosa em plena abertura do inverno. Não há previsão que possa explicar .
A NOITE DO DESAFIO acabou coincidindo com outra prova de arrancada. Houve quem se preocupasse pensando que poderia haver alguma "desmobilização". Nunca temi desafios, pelo contrário vivo buscando os que valem a pena e quem me conhece sabe que nem por um segundo este foi um pensamento que me preocupou. Concorrência é ótimo, e além disso, além de sermos uma prova amadora, se houvesse carros em ambos os eventos, a única conclusão seria de que a arrancada cresce saudável e vai muito bem, obrigado.

Um choque de realidade faz bem para todo mundo de vez em quando.
Foi exatamente isso que vimos na noite de 2 de julho.

Tarumã, agora um experiente quarentão, lotado de um público jovem , alegre e entusiasmado. O maior público de 2010 e - até uma prova real em contrário - o maior público de arrancada de toda sua história, conduzido por seu "filhote adolescente de 13 anos", o Racha Tarumã.
Todos sabemos que adolescentes são encrenca pura!
Isso não chega?

Tá bom, tem mais... mais de 230 carros na pista. De todos os tipos e com um nível médio surpreendente para qualquer um!
Carros fortes, de gente que veio disposta a se divertir do jeito que quem corre arrancada se diverte - pé no fundo e deixando para trás o adversário.

Em frente de um arquibancada com 5 mil pessoas que não podem mesmo ser chamadas de passivas e sim de participativas. Tenho um amigo que sempre reclama que jogam algo nele, um copo de plástico ou uma lata vazia... e eu sempre lembro pra ele que é só ficar em casa em frente à tv que isso não acontece...
De verdade mesmo, é que os seguranças não tiveram de intervir em uma única briga durante uma longa noite de espetáculo, que só acabou as 4h30min da manhã. Dá para compreender o que é tanta gente, em um mesmo espaço, em uma atmosfera tão emocionante e emocional e tudo transcorrer tranquilamente? Um "woodstock automobílistico gaúcho".

Explicação: o público gostou do que viu.
Foi ver um show e foi isso que recebeu .
A arrancada na pista, os carros que você não vê em outros lugares e a boa e velha cadeira elétrica ao final. Os americanos tem seus shows de carro foguete. Vou falar pra vocês com sinceridade: perto da cadeira elétrica rodando sete vezes a 160 km por hora, o carro foguete é quase uma tolice.

Todos as pessoas com quem falei e tive contato foram afetadas de alguma maneira. Parei para ver uma barata Ford 34(!). Conversei com seu proprietário na fila do alinhamento e ele me contou que era um carro de fibra de vidro, que ele montou, e é seu carro do dia a dia. Já estava ali feliz só de olhar aquele carro tão legal quando o cara me falou:" legal é isso aqui, gente sensacional, lugar perfeito e eu poder acelerar em uma pista com esse carro que eu mesmo montei, não dá pra ficar mais feliz"!
Todo o trabalho que tive para ajudar a fazer este evento, me pareceu pequeno ali naquele instante. Comecei a achar que fiz pouco diante da felicidade que um evento assim pode trazer para as pessoas.

Conversei com os seguranças, completamente espantados com a quantidade de público e carros que passavam na sua frente. O efetivo, por medida de precaução da administração do autódromo, foi dobrado , mas o público era muito grande. O Ademir Moreira, o velho "perna" , dublê de locutor e piloto de moto aposentado (ou seria o contrário, não sei bem) sempre se refere ao público do Racha Tarumã dizendo "o MEU público é muito educado, ele é muito bacana...) . Depois de sexta, não tenho mais motivos para não acreditar nele.
Utopias são possíveis ?



Algum tempo atrás (não muito) ninguém acreditaria que seria possível realizar algo assim.
O fato incontestável é que aconteceu.
Todo o pessoal que administra e trabalha em Tarumã "conspirou" para que assim fosse. A Associação Desafio fez a sua parte, e o público veio em peso.
Hoje não falarei das corridas. Não preciso. Muita gente vai falar.
Só vou dizer que elas foram as melhores e mais legítimas que vi em muito tempo.
Quem esteve na pista brigando nas finais com a arquibancada lotada, não esquecerá.




Até a próxima.

Quem vai e quem está com medo?
Fotos: Igor Terres e Rita Copetti de Queiroz

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