segunda-feira, 5 de julho de 2010

Utopias são possíveis?






Escrevi aqui na semana passada que não acredito no acaso.

A NOITE DO DESAFIO
foi transferida por duas vezes devido ao clima, antes que pudesse acontecer. E isso nos deu uma noite maravilhosa em plena abertura do inverno. Não há previsão que possa explicar .


A NOITE DO DESAFIO acabou coincidindo com outra prova de arrancada. Houve quem se preocupasse pensando que poderia haver alguma "desmobilização". Nunca temi desafios, pelo contrário vivo buscando os que valem a pena e quem me conhece sabe que nem por um segundo este foi um pensamento que me preocupou. Concorrência é ótimo, e além disso, além de sermos uma prova amadora, se houvesse carros em ambos os eventos, a única conclusão seria de que a arrancada cresce saudável e vai muito bem, obrigado.


Um choque de realidade faz bem para todo mundo de vez em quando.

Foi exatamente isso que vimos na noite de 2 de julho.


Tarumã, agora um experiente quarentão, lotado de um público jovem , alegre e entusiasmado. O maior público de 2010 e - até uma prova real em contrário - o maior público de arrancada de toda sua história, conduzido por seu "filhote adolescente de 13 anos", o Racha Tarumã.

Todos sabemos que adolescentes são encrenca pura!

Isso não chega?


Tá bom, tem mais... mais de 230 carros na pista. De todos os tipos e com um nível médio surpreendente para qualquer um!

Carros fortes, de gente que veio disposta a se divertir do jeito que quem corre arrancada se diverte - pé no fundo e deixando para trás o adversário.


Em frente de um arquibancada com 5 mil pessoas que não podem mesmo ser chamadas de passivas e sim de participativas. Tenho um amigo que sempre reclama que jogam algo nele, um copo de plástico ou uma lata vazia... e eu sempre lembro pra ele que é só ficar em casa em frente à tv que isso não acontece...

De verdade mesmo, é que os seguranças não tiveram de intervir em uma única briga durante uma longa noite de espetáculo, que só acabou as 4h30min da manhã. Dá para compreender o que é tanta gente, em um mesmo espaço, em uma atmosfera tão emocionante e emocional e tudo transcorrer tranquilamente? Um "woodstock automobílistico gaúcho".


Explicação: o público gostou do que viu.

Foi ver um show e foi isso que recebeu .

A arrancada na pista, os carros que você não vê em outros lugares e a boa e velha cadeira elétrica ao final. Os americanos tem seus shows de carro foguete. Vou falar pra vocês com sinceridade: perto da cadeira elétrica rodando sete vezes a 160 km por hora, o carro foguete é quase uma tolice.


Todos as pessoas com quem falei e tive contato foram afetadas de alguma maneira. Parei para ver uma barata Ford 34(!). Conversei com seu proprietário na fila do alinhamento e ele me contou que era um carro de fibra de vidro, que ele montou, e é seu carro do dia a dia. Já estava ali feliz só de olhar aquele carro tão legal quando o cara me falou:" legal é isso aqui, gente sensacional, lugar perfeito e eu poder acelerar em uma pista com esse carro que eu mesmo montei, não dá pra ficar mais feliz"!

Todo o trabalho que tive para ajudar a fazer este evento, me pareceu pequeno ali naquele instante. Comecei a achar que fiz pouco diante da felicidade que um evento assim pode trazer para as pessoas.


Conversei com os seguranças, completamente espantados com a quantidade de público e carros que passavam na sua frente. O efetivo, por medida de precaução da administração do autódromo, foi dobrado , mas o público era muito grande. O Ademir Moreira, o velho "perna" , dublê de locutor e piloto de moto aposentado (ou seria o contrário, não sei bem) sempre se refere ao público do Racha Tarumã dizendo "o MEU público é muito educado, ele é muito bacana...) . Depois de sexta, não tenho mais motivos para não acreditar nele.

Utopias são possíveis ?


Algum tempo atrás (não muito) ninguém acreditaria que seria possível realizar algo assim.

O fato incontestável é que aconteceu.

Todo o pessoal que administra e trabalha em Tarumã "conspirou" para que assim fosse. A Associação Desafio fez a sua parte, e o público veio em peso.

Hoje não falarei das corridas. Não preciso. Muita gente vai falar.

Só vou dizer que elas foram as melhores e mais legítimas que vi em muito tempo.

Quem esteve na pista brigando nas finais com a arquibancada lotada, não esquecerá.


Até a próxima.



Quem vai e quem está com medo?

Fotos: Igor Terres e Rita Copetti de Queiroz

6 comentários:

  1. concerteza, tem coisas que são inexplicaveis, mas essa ai tem explicação, fazer com amor e seriedade, para conquistar todos.. PARABENS A DESAFIO.
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  2. Não há o que comentar. Apenas palmas. Espetacular.
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  3. Marco, ainda não tive chance de dizer que sou seu fã. Estava pretendendo dizer isso pessoalmente, mas vendo essas últimas atualizações do Blog, não deixarei passar em branco. Você escreve como poucos e consegue colocar emoção, simpatia e sinceridade em seus textos, isso sem falar nas agulhadas certeiras que muitas vezes só a vítima consegue sacá-las.
    Quem lê sente que as palavras vem do coração de um entusiasta, e não de pseudo jornalistas que possuem espaço fixo nas revistas. Aliás, ainda não entendo porque não lembro de ter visto nenhum texto seu nas mais populares.
    Queria eu ter uma porção apenas dessa sua capacidade de brincar com as palavras e conseguir passar idéias e pontos de vista de um real entusiasta de performance, sem essas ridículas expressões que a gente vê todo mês em na mídia do segmento, expressões essas que nem vou citar para não poluir esse seu sagrado espaço.

    Fica aqui registrado minha admiração por esse seu dom, e garanto que em breve irei apertar sua mão e cumprimentá-lo pessoalmente por isso.

    Luiz Henrique "Piu" - piubrazil@hotmail.com
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  4. Pois é.

    Fiquei surpreso e não nego, até emocionado.

    Eu julgo que o texto do Piu esta melhor que o meu , o que me coloca em uma situação engraçada: ou passo a pagina pra ele ou dou um jeito de me esforçar mais e melhorar.

    Grande abraço Piu.
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  5. Muito legal o texto do PIu mesmo!!!!!!!!!

    T.O.Castro
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