
O outlaw brilhou novamente. Desta vez muita gente percebeu. Na semana em que todos os olhares do RS estavam voltados para o jogo do Internacional pela Taça libertadores, algo diferente chamava atenção na tribo dos que gostam de acelerar .
Na quinta - após o jogo - fui à loja Full Turbos para conversar com seu proprietário, o Marco Patané, que tem sido um incentivador da arrancada por aqui. Logo que cheguei, notei um movimento incomum na loja e rapidamente vi que não havia lugar para estacionar. Primeiro pensamento: " o Marco está fazendo alguma festa e não me convidou..." Quando consegui entrar vi que eram apenas clientes atarefados em suas compras! No meio de toda a fumaceira , o Marco que já é normalmente meio nervoso , brincava com a situação : "parecem formigas devorando meu estoque!".
Fui embora feliz porque vi na prática o resultado de um trabalho e de uma ideia do grupo que iniciou a Desafio - o circulo virtuoso. Onde uma ação positiva leva a outra e assim temos progresso, desenvolvimento e geração de riqueza na comunidade. O esporte impulsionando o comércio e o comércio devolvendo a energia ao esporte. Acompanhado por estes pensamentos, cheguei na oficina do Nelson (DSP) para deixar alguns cartazes. Fui recebido por um Nelson apressado..."estou indo agora lá para o dinamômetro, tem fila de carro para passar e precisam minha ajuda lá..." , e foi embora.
Vivenciando estes fatos e tendo em meu computador uma espetacular lista de inscrições, eu podia imaginar que a ND2 seria um marco na arrancada do sul. Como nada é garantido, sempre temos de esperar as coisas acontecerem.

A sexta chegou, e com ela todo o trabalho de varrer a reta, colocar o VHT - que descobrimos ser um trabalho para uma máquina e não para humanos, depois que as mãos do Fábio ficaram com hematomas de tanto bombar o borrifador - e aprontar tudo para o show. Veio a noite, e fiquei na portaria para organizar a entrada, já que a partir de agora, nos boxes apenas os carros que vão para a pista. Ali, nessa posição privilegiada, vi de tudo um pouco. De antigos corredores com larga experiência até novatos para quem tudo é uma grande novidade. Não podia parar de lembrar do filme onde o personagem construia um campo de basebol em uma lavoura de milho e justificava seu sonho dizendo que "se eu fizer o campo, eles virão" em referencia aos grandes jogadores do esporte. Em Tarumã, como no filme, os personagens apareceram mesmo.
O público, essa entidade tão incompreendida, compareceu. De novo, em peso, lotando a arquibancada, zombando da noite fria do Rio Grande. Nem o rescaldo da festa do Inter e nem o inverno puderam impedir quem queria ver o acelera.
E que acelera! Pense em algum carro com o qual voce já sonhou, e saiba que ele estava lá. Carros rápidos, carros bonitos, carros com o status de lenda como o Charger laranja e preto do Adriano Viganigon. E que não é apenas uma lenda estilo all show, no go , e sim um carro rápido de verdade. Era como se estivesse no acelera da rua dos nossos sonhos mais impossíveis. Mas era na pista, sem perder a rebeldia, sem regras e com a alma do esporte por companhia. Eu sei, e sou testemunha, que muitos se esforçaram para trazer o que podiam fazer de melhor para o show.

A cronometragem de Jaime Kopp ( Produpark ) valeu cada centavo. Através dos dados que produziu podemos ver a força do evento ND2 e o significado de somar o Racha e a AD. Com a grande qualidade média dos participantes, o campeonato da Associação engrena, e a disputa pelo 4º título este ano vai ser a mais difícil. Além disso, a ND2 evoluiu. A limitação imposta às inscrições mostrou ser um acerto. Agora vai ser preciso aperfeiçoar o sistema para garantir que quem vem de longe para competir, mesmo que não tenha inscrição, tenha a possibilidade de participar.

Com uma organização extra-pista mais eficiente feita pelo pessoal do Racha, a cronometragem funcionou bem e a fila andou, mesmo com o elevado número de carros. Confirmaram a inscrição 208 participantes, mas após os treinos livres 130 efetivamente competiram. E este foi um grande aprendizado: 130 carros ao mesmo tempo na pista são um verdadeiro mar que tem de ser contido e administrado. Em um evento de um dia (ou noite, como a ND), talvez seja o número máximo possível. Todas as passadas previstas foram dadas, e o evento ainda foi um pouco longo demais, mas seu tempo já se reduziu em uma hora com a agenda completa. Dá para melhorar mais, principalmente fora da pista.

Os boxes estavam desimpedidos com a nova norma que restringe o acesso dos carros de quem não está competindo. As pessoas continuam com o acesso livre para ver os carros e atividades. É a base da cultura da arrancada, mas os carros que não estavam em competição realmente atrapalhavam. Outra boa surpresa foi o fim dos carros com equipamentos de som que há mais de 10 anos eram um problema que desagradava os frequentadores que iam à Tarumã participar de uma noite de arrancadas. A direção do autódromo cumpriu sua promessa e este problema já não existe.

O tempo tem sido amigo da ND. Estava frio, mas para pleno inverno foi agradável. A umidade e a neblina foram menores desta vez, provavelmente porque estava um pouco mais frio que na primeira ND.
O VHT foi um capítulo à parte. A Lucxis Quimica colaborou com uma parceria, a AD arrecadou contribuições de seus filiados, a diretoria de Tarumã doou 20 litros e a cola não faltou. O que faltou foram braços para espalhar o líquido pegajoso, que insistia em tornar a bomba pesada. O próximo passo é a construção de uma máquina para espalhar o VHT. Sem problema, arrancada é arrancada e construiremos uma como já fizemos para Santa Cruz quando o Salton administrava a Arrancada Cup.


As opiniões seguem divididas quanto à reta de Tarumã. Alguns pilotos continuam dizendo que patina demais, que tem cola demais... outros dizem que tem cola de menos... muita cola, pouca cola? Vamos olhar os números do Jaime: uma análise simples foi suficiente para mostrar que muito pilotos têm agora tempos iguais aos da pista do Velopark ou apenas poucos décimos de diferença. Já desapareceu a diferença inicial de mais de um segundo na primeira ND. Muitos têm agora novos recordes pessoais em Tarumã e isso demonstra que o caminho está certo. A reta em subida, como ensina o piloto Alexandre Kroeff em depoimento na revista ACELERA! precisa ser decifrada. O efeito da cola pode ser visto na arrancada do Chevete de Paulo Rebelo contra Sergio Fontes no Top 16 - o Chevette parecia ter sido chutado por um ser invisível... parecia um carro gringo, andando na casa dos 6s em 201m.

A tecnologia rendeu boas novidades. Foi surpreendente conseguir transmitir ao vivo pela primeira vez no Racha pela internet. Foi experimental, apenas um teste, mas empolgou e acabamos cobrindo a corrida toda em uma transmissão de boa qualidade sem quedas ou interrupções. Com a ajuda do twitter, logo já tínhamos espectadores, até em outros estados participando da transmissão. O futuro é agora e promete!
Na pista, o evento foi profissional. Papeleta de tempo, impressora para acompanhamento dos resultados e, na ausência de um placar eletrônico, um projetor apresentava os tempos em um painel on line com o equipamento. Temos agora dois locutores, o que traz mais dinâmica à narração. É algo novo, que ainda precisa integração entre os profissionais do microfone, mas também está no caminho certo. O show vai construindo seu formato.
Olhando através deste raio x, a conclusão é que a ND é um evento que começa a ultrapassar fronteiras, mostrando a verdadeira face da arrancada, que é o esporte automobilístico mais popular. É o estimulo certo, na hora certa e uma prova por vez, vai se aproximando do coração do público.
Alguém duvida?
Faltou falar sobre o TOP16 da ND2. Ele foi tão importante e tão surpreendente que vai ter história própria contada através da minha visão de insider - dentro da pista, no calor dos acontecimentos. É só esperar...

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