segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O FIM DO MODELO


É preciso manter a mente aberta para as mudanças, pois elas ocorrem gostemos ou não.


Soft ball?
Esta simples constatação deve estar passando por muitas mentes que por anos tiveram suas empresas e negócios completamente voltados a arrancada nos EUA, sempre com bastante sucesso e agora começam a sentir que o rumo das coisas é um beco sem saida.


Na verdade, tudo muda, evolui e as vezes, até acaba mesmo.
Gente com uma vida dedicada a arrancada não para de se perguntar se a arrancada vai encontrar um caminho ou vai apenas encolher, definhar e acabar como algo muito menor e com menos importância do teve até os dias de hoje. 


Final mundial da ADRL
Muitas são as respostas para estas perguntas e seu teor depende  do ponto de vista do observador.


Sob o ponto de vista do esporte "profissional", o BIG SHOW, onde todos os participantes são pagos, como ocorre na NHRA e na atual ADRL, e onde os índices de audiência são fundamntais para conservar e captar os patrocinios que mantem as séries, o que comenta é o seguinte:
1 - As duas grandes ligas encolheram suas folhas de pagamento, demitindo um grande grupo de funcionários. A NHRA vai para menos de 20 provas nacionais em 2012, reduzindo de 24 anteriormente. Também esta "fundindo" divisões e demitindo uma boa parte técnica de sua administração.


2 - A ADRL mudou o foco que mantinha desde o seu nascimento e ascensão. Em 2012 vai cobrar ingresso, estacionamento e vai diminuir as bolsas de deslocamento para os pilotos. Serão 10 provas em 2012, agora com a adição do que sua administração chama de "grandes mercados" como Charlotte, onde vai correr pela primeira vez na Zmax. E abandona a tradicional Rockchingham - The Rock - que foi a responsável por seu maior público. O que isso tudo significa para os próximos anos, é uma grande incógnita.


Sob o ponto de vista do esporte "amador", que nos EUA é o que verdadeiramente move a máquina, através da venda de peças e ocupação das pistas, a análise é mais clara e pode nos ensinar algumas lições.


Shakedown em E-TOWN ( onde esta o público?)
Por lá, se entende que as drag races terão 4 fases distintas, com evolução ( ou involução ) própria.
A - Corridas com categorias , que em tese deveriam ser mais baratas, não atraem público e os pilotos não querem ( ou não podem devido ao atual estado da economia americana ) mais pagar os custos de operação das pistas. Isso esta fazendo com que cada vez haja menos entradas e com isso, os custos unitários sobem cada vez mais inviabilizando esta parte do esporte amador.


B - "Bracket" race - Não é popular por aqui, mas de acordo com os americanos, foi o que criou a base e o desenvolvimento da indústria pois era algo muito acessível a participação de todos. Sofre também do abandono dos praticantes, devido a elevação de custos. Mas, a elevação de custos se dá por outro motivo, além da economia: a invasão de carros de mais de 1200 cv, que vão correr Bracket atras dos premios. Para estes carros, a necessidade de pista tratada é fundamental, pois eles marcam um tempo e vem de trás com sua potência para acertar. Os premios ao final do dia são da ordem de 1000 a 1200 dólares, para uma inscrição de 200/300 dólares. Para quem ganha é bom, mas para a maioria, que paga os custos de tratamento da pista e não vence, é só para sair algumas centenas de dólares a menos no bolso no final de semana. E assim, cada dia tem menos gente praticando Bracket.


C - Eventos especiais - Seu sucesso praticamente fala por si. O NMCA (National Muscle Car Association) é uma das maiores organizações de corrida do planeta. E não esta sozinha. Vários outros promotores, pequenas ligas  e administradores de pista competem para fazer  bons eventos. Conseguir isso com a economia no estado atual é considerado incrível e marca uma tendência.
Corridas especializadas são configuradas de forma "part-time, não tão dedicado" , onde o competidor pode ir a um evento de grande porte, ter um bom tempo para ver muitos fornecedores, desfrutar de uma reunião de troca, etc, em um fim de semana. É uma idéia de transformar o final de semana em mais que uma simples corrida, é toda uma experiência de imersão no mercado de competição.



A força dos eventos independentes é grande. Competem pela atenção do público
D - "Test e Tune" para multidões - Não é brincadeira dizer multidão. Relatórios de pistas mostram que até 700 carros já apareceram em dias de Test & Tune, embora a média esteja entre 75 e 150. E são estes usuários que estão permitindo que pistas se mantenham abertas. As tentativas de atrair este público para as corridas não tem trazido um efeito real e prático. A maioria dos "test & tuners" gostam da emoção de ir rápido, mas estão longe de realmente querer ou mesmo poder competir.


Na próxima semana, vamos ver as possibilidades que se abrem , especialmente para nós aqui no Brasil, com a nova fase do movimento sport compact, agora liderado pelos Porto Riquenhos e outros latinos centro americanos.

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